Definição

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano VI Número 63 - Março 2014

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Poesia - Arnaldo Xavier

Merciful - Calligraphy Painting, Oil on Canvas
by Mohammad Ehsaei

(...)
21

qualquer que seja o malmequer
qualquer que seja o bem-me-quer
seja qual flor

22

Pomba azul
céu estupidamente branco
negr’olho nu

23

Lua
luz lilás goteja
encanto flamboyant menstrua

24

Luz
Toda
escuridão

(...)

[in Arma Zen, inédito]

Poesia - Souzalopes

Untitled, by Yaghoub Ammamepich

Manifesto do Partido Comunista
em cordel
Anônimo de Souza

(...)

2 – Proletários e comunistas.

Sempre está o comunismo
Unido ao trabalhador;
A toda gente operária
Nós damos maior valor.
Para nós, o proletário
Nunca dirá “por favor”.

Queremos tudo o que quer
Todo partido operário:
Vida melhor para todos,
Do peão ao bancário.
Derrube-se a burguesia,
Erguendo-se o seu contrário.

O ideal comunista
Não foi nascido do nada:
É fruto das condições
Da nossa classe explorada
Que precisa dar um fim
À propriedade privada.

O trabalho por salário
Não garante nossa vida:
O burguês fica mais rico
E seu capital se estica.
Não temos nada de nosso
E a situação se complica.

Mas é do nosso trabalho
Que nasceu o capital.
O nosso salário mínimo
Representa nosso mal.
Quanto mais nós trabalhamos
Menos vemos o metal.

Do nosso trabalho o fruto
Mal chega para comer,
Levar vida miserável,
Sem direito de querer,
Obedecendo até quando
Eles nos mandam morrer.

O nosso trabalho vivo
Assim vai se acumulando.
Quando houver o comunismo
Teremos voz de comando:
De todo nosso trabalho
Vamos estar aproveitando.

Os burgueses falam muito
Nessa tal liberdade,
Que para eles consiste
Em manter a propriedade.
Assim mandam em nossa vida,
Dominam nossa vontade.

A liberdade para eles
É só comprar e vender.
Só eles que são pessoas,
Só eles podem querer.
Eles se enganam, coitados:
Um dia vamos poder.

O comunismo não quer
Roubar o trabalho alheio.
Quer evitar o contrário
Deste quadro que é tão feio.
“abaixo o trabalho escravo!”
- Nós gritamos sem receio.

Eles dizem que sem eles
Morrerá toda cultura;
Que sem haver capital
A vida não é segura.
Eles mentem, por que sabem
Que nós somos o futuro.

Quando eles falam cultura
Dizem só “adestramento”,
Homens que se tornam máquinas,
Sofrendo todo tormento.
Pra eles não somos gente,
Somos simples instrumentos.

Eles dizem que à família
Nós queremos destruir:
Outra mentira que contam
Porque queremos unir
Crianças que não trabalhem,
Pais e filhos a sorrir.

Foi em nome de tal família
Que veio a prostituição.
As mulheres, para eles,
Só servem à produção.
Entre si são todos cornos,
É assim que eles são.

Dizem que o comunismo
À pátria não tem respeito.
É verdade: nossa pátria
Não é a lei de um sujeito.
Nossa pátria é para sempre
O homem livre, não sujeito.

Nós não somos de atacar
Ou matar um companheiro
Só porque ele nasceu
No território estrangeiro.
Nossa pátria, a liberdade,
Não se compra por dinheiro.

A história desse mundo
São as classes em combate.
Revolução sempre houve:
O novo ao velho abate.
Só se acabarmos as classes
Tudo será igualdade.

Como á vida é desigual,
E desiguais os Estados,
Não vale o mesmo critério
Entre ricos e atrasados:
Vigorando a mesma lei
Fracassam os resultados.

Assim diremos, são dez
Itens do nosso programa
Que podemos praticar
Seguindo esse panorama
Adaptando os casos
Conforme for cada drama:
-O latifúndio é crime.
-Quem paga imposto é o rico.
-Ninguém herda o que não fez.
-Quem não presta diz não fico.
-Todo dinheiro é do povo.
-Motorista não faz bico.
-Terra e fábrica para todos.
-Quem puder, vai trabalhar.
-Cidade e campo se ajuntam.
-Crianças vão estudar.
Assim dizemos pra sempre
Assim vamos vigorar.

O que chamam poder público
Nunca mais será político.
Nunca mais haverá classes
Nem o seu ranço raquítico.
O velho poder dos velhos
Morrerá de sifilítico.

Nova vida social
Tira o lugar do burguês.
A velha sociedade
Já perdeu a sua vez. –
Quando um se desenvolve
Um mais um já são três.

(...)

Poesia - Plínio de Aguiar

آهو - نسرين خيري
Deer, by Nasrin Kheiri

Chão de Varanda

Tenho saudade dos sonhos
E sinto-a olhando o chão
Da varanda em pleno sertão.

Quadrados de cerâmica azul
Sob tantos passos rejuntam
O espelho do que sinto.

Penso
Talvez minto.

(Plínio de Aguiar, Cipó, BA, 2012)

Poesia - Hamilton Faria

Geometric arabesque tiling on the underside
of the dome of the Tomb of Hafez in Shiraz.

Lirial
Morava na alegria
E nunca mais morreu

Zero
Subtraio-me ao tempo
E me acrescento

Liame
Um certo riso meu
Nasce no outro

Súbito para uma flauta
Soprar avenas
Nas almas pequenas

Noturno
Estrelas escondidas
No céu e nas vidas

Poesia - Santiago de Novais

Iran - People are hanged for the "crime" of Homosexuality
(imagens enviadas pelo autor)

SURATAS 1, 2, 900 E 4.000 ETC


(Em vários países (árabes principalmente),
homens e mulheres, adolescentes de 13 anos ou menos e adultos.
são executados publicamente por serem homossexuais, “para servir de exemplo”.
Please go against public gay execution in Iran: http://outrage.org.uk

Surata 1
Eu vos bendigo, Eu vos digo salvos.
Deus os quer meus irmãos de Teerão.
Que Alah conforte suas almas.

Surata 2
Ei de todo lugar:
Acalmai vosso espírito!
Não se desesperem!
0 grande favor
Não é vingança, é
Despedaçado e poeta
Chegou meu dia só por ter que sei eu?


[Tudo deixou de ser fantasia
Poetas não falam mentira nem inventam
Condensam e explicam e não confundem]
Algemas agulhas amarrias
Viver
Santa paciência de mim oh Senhora!
Pra quê?
Sóis a pombinha rola dos livros de José de Alencar?
Se agora
Desgraçado não lhe resta nem
Viver


Do que não tenho raiva não sei dizer
Sei que é dela e nem tenho pra falar
Com venda nos olhos e parcial
Como é viver sem dor?
As unhas sujas de se unhar
Tinha a toda vida
E agora só a das partes menor, arranhar a morte,
Lutar contra ela
Minhas vértebras quebradas
Nunca tive paz e sossego, ora porque não nasci em Turks and Caicos?
Fácil, queria deitar Nas Rochas de Abas Abad e sentir
Sôfrega
Sou leve a brisa do Cáspio! Mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm



Surata 9.000
A justiça sobre seu amor ?
Está equivocada.
Quem vai julgar o certo anda nas nuvens.
E não pisando o chão enlameado de sangue de Teerão.
Até lá, Salam, paz para sua alma. Sorbet de Pistache.
O refrigério para seu corpo calcinado.
[Vai abrir colchetes mais pra frente].
Dor e alegria.
Morrer é até
Um grande favor: Sou uma pena.
Tenha perna de mim oh Senhor, não sei voar sobre o chão Bushehr confundo.
[Vai abrir colchetes mais pra frente].
[Depois da ida da donzela de Castro Alves o tuberculoso ]



Surata 4758
As penas pra escrever te dou:
Não sei , não me bata,
Já morri mesmo e nem nasci.
Prende-me
Pra mim só suas pernas de moço
Me solta
Conforto pra andar juntos
Pisa, pendo, sufoco, dói
Morrer é um voar?
Imobiliza-me Alá


[Vai abrir colchetes mais pra frente].
sOh Senhora com minha morte não se importa?
Látego venda de olhos rubber mask grilhões amarrias
Arranha isso é Masoch? Eles são ?
Não fosse o Senhor tão moço, eu. Digo:
Solta...
[Morreria de verdade
Das Donzelas indiferentes ]
Prende-me prende-me prende-me prende-me perdi minha mãe e tudo!
Quem se importa comigo além dos cavalheiros de frete ?
Humilha-me, sou um novo Jesus. Sou novo Judas de Asas.

Surata 4
E vem o anjo e o profeta e a mãe
E O amor é tudo o que me humilha,
O que pra mim era sublime, agora é minha nuca desmembrada -
Oh senhor alguma destas crianças me salvar dizendo:
“E se alguém salvar uma vida, será como se tivesse salvo toda a humanidade" -
Dizer bem alto a 2ª segunda surata revelada em Medina,
Versículo 190 que diz:
“Combatei pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém não pratiqueis agressão
Porque Alah não estima os agressores.”
GOLPE? Falta me o ar. E Jesus só morreu na cruz? E eu mais?
A sua falta
Não dói mais.
Sou o que se quebrou do Pessoa:
Tortura.
[Vai abrir colchetes mais pra frente]
Sou mais cacos do que um vaso só daria e,
Apanho como...
[Depois de Castro Alves o tuberculoso
Pra mim só suas penas de moço
Sufoca]
Onde deito minha cara batida?
Esmurra se não sou nada mais.
Sinto-me sua cadela vadia
Não fosse o Senhor moço,
Mesma coisa vida vazia
Morreria de verdade.


Surata 93
Cospe-me. Tás feliz?
Ei, então, veja só,
Ora, ora meu Senhor isso é que te faz sentir valente:
Quem seria se não fosse assim por ser?
Ouça, ouça bem:
Senhora, Senhora!
Tua escuridão e tarde sem sol
Não demora!
Ouça, ouça bem.
Senhor, Senhor!
Tua mão que me aperta
Não faz dor!
Bate-me espanca torce-me corta-me marca-me morde trinca
CONTINUO ANJO LINDO EU ALÇO VOO MINHAS ASAS BRANCAS LINDAS MEU ALÁ SOU EU?
Melhor que o amor
É não fingir.
Como Senhora?
Já quero viver
O castigo é antes e o amor que se foda.





Poesia - Dorival Fontana

Addiction - painting acrylics collage on canvas, by Seth Siro Anton

Adicção

Cocaína dos meus olhos,
lágrimas cristalinas
que não choram...
pela manhã desmoronam,
vespertinas dormem,
a noite sonham...
sempre retornam
à origem das formas.
Medíocrealidade.
Taquicárdica pulsa.
Epistaxe repulsa.
EntorpeSenteAlma.

Poesia - Pedro Du Bois

Fabian Perez, Man at the Bar IX

Rudimentos

O corpo tosco, ideológico, a bebida
barata do bar da esquina, o olhar
inerte sobre a toalha: a lembrança
é mortalha viva do intelecto e o longo
caminho percorrido no alongar o físico;
o contato contamina o todo destinado
e aos ouvidos se rebelam sons inaudíveis;
repete o gesto com que bebe o líquido,
repete as vezes despretensiosas da saudade;
reafirma ao homem da outra mesa a incerteza
da sobrevivência: ideológico, destila o humor
esbranquiçado da verdade: o homem ao lado
faz de conta que não é com ele e bebe
aos santos de todos os sábados.

(Pedro Du Bois, Rudimentos 1, inédito)

Poesia - Edson Bueno de Camargo

Untitled, by Somayeh Moharami
Lilith

entre a escolha
entre a mulher virtuosa
e a que caminha sinuosa

embora cindido
eu prefiro a que tenha asas

que me beije como um anjo
e escolha a posição que quiser

Poesia - Marina Alexiou

Imagem enviada pela autora
Sphinx at the entrance of Belvedere Palace - Vienna, Austria

Escrito Nº76

Olhar dócil mas amparado em uma força destruidora de Esfinge
De ímpeto que não concede erros ou mudança de espírito
A busca pelo seu sorriso pode representar um engano quanto a um questionamento livre de grilhões
Seres caóticos que somos, mergulhados em sombrias incertezas,
Atraímo-nos pela sua bela silhueta
Clara e fulgurante como um raio. Que entre espasmódicas aberturas, nos faz querer indagar
Pela sua origem, pelo seu aspecto numinoso, pelos seus ancestrais registros.
Placidamente, ela nos nega qualquer possibilidade de amparo ou uma nova condição.
O que foi conquistado não pode ser por ela alterado. A sua voz é sábia, quase inaudível, pois vem de muito longe.
A sua comunicação é breve, instantânea, cifrada. Por um código singelo, porém, inalcançável
Para aqueles que vivem sem conhecer o seu verdadeiro rosto,
Tão amistoso com quem lhe devota os seus mistérios
E implacável com intrusos e auscultadores do falso remoto.
Hoje, essa sufocante figura de um desconhecido passado, descansa a sua imagem em profanos mausoléus
Seus olhos são vazios e suas mensagens não passam de surdos oráculos
Mas, para alguns poucos que dela conseguem se aproximar, apesar de toda dor,
Ela sussurra uma melodia, e, com esta, acende a chama que os habita
Voltando a aquecer com seu leonino fogo, a paixão nessas solitárias almas.
< SPHYNX >

Poesia - Carla Andrade

Untitled, by Khalil Samaei Jablou

Cateto Oposto

O oval de mim
é  pulso na manhã,
língua no lamber do mar,
cabelos soltos em afã
nos obesos dedos do ar.

O mim no aval do mundo:

geometria das cores
de um pássaro, descora;
pó verde de homens
de suor, desbota.

Decora
ossos do calcanhar
de quem no oval



do tempo, pisa em mim.

O mim, no que ainda resta
de oval no mundo, é quadrado,
olhos fundos de vigas,
dentes podres em filas.

Estilhaço, mais um dia.
No oval redondo da vida,
tantas covas na hipocrisia,
bichos mortos de sonhos.

Autores

Ademir Demarchi Adriana Pessolato Adília Lopes Afobório Agustín Ubeda Alan Kenny Alberto Bresciani Alberto da Cunha Melo Aldo Votto Alejandra Pizarnik Alessandro Miranda Alexei Bueno Alexis Pomerantzeff Ali Ahmad Said Asbar Almandrade Alyssa Monks Amadeu Ferreira Ana Cristina Cesar Ana Paula Guimarães Andrew Simpson Anthony Thwaite Antonio Brasileiro Antonio Cisneros Antonio Gamoneda Antonio Romane António Nobre Ari Candido Fernandes Ari Cândido Aristides Klafke Arnaldo Xavier Atsuro Riley Aurélio de Oliveira Banksy Bertolt Brecht Bo Mathorne Bob Dylan Bruno Tolentino Calabrone Camila Alencar Carey Clarke Carla Andrade Carlos Barbosa Carlos Bonfá Carlos Drummond de Andrade Carlos Eugênio Junqueira Ayres Carlos Pena Filho Carol Ann Duffy Carolyn Crawford Cassiano Ricardo Cecília Meireles Celso de Alencar Cesar Cruz Charles Bukowski Chico Buarque de Hollanda Chico Buarque de Hollanda and Paulo Pontes Claudia Roquette-Pinto Constantine Cavafy Conteúdos Cornelius Eady Cruz e Souza Cyro de Mattos Cândido Rolim Dantas Mota David Butler Denise Freitas Desmond O’Grady Dimitris Lyacos Dino Valls Dom e Ravel Donald Teskey Donizete Galvão Donna Acheson-Juillet Dorival Fontana Dylan Thomas Décio Pignatari Edgar Allan Poe Edson Bueno de Camargo Eduardo Miranda Eduardo Sarno Eduvier Fuentes Fernández Elaine Garvey Elizabeth Bishop Enio Squeff Ernest Descals Eugénio de Andrade Evgen Bavcar Fernando Pessoa Fernando Portela Ferreira Gullar Firmino Rocha Francisco Niebro George Callaghan George Garrett Gey Espinheira Gherashim Luca Gil Scott-Heron Gilberto Nable Glauco Vilas Boas Gonçalves Dias Grant Wood Gregório de Matos Guilherme de Almeida Hamilton Faria Henri Matisse Henrique Augusto Chaudon Henry Vaughan Hilda Hilst Hughie O'Donoghue Husam Rabahia Ian Iqbal Rashid Ingeborg Bachmann Issa Touma Italo Ramos Itamar Assumpção Iulian Boldea Ivan Donn Carswell Ivan Justen Santana Ivan Titor Ivana Arruda Leite Izacyl Guimarães Ferreira Jacek Yerka Jack Butler Yeats Jackson Pollock Jacob Pinheiro Goldberg Jacques Roumain James Joyce James Merril James Wright Jan Nepomuk Neruda Jason Yarmosky Jeanette Rozsas Jim McDonald Joan Maragall i Gorina Joaquim Cardozo Joe Fenton John Doherty John Steuart Curry John Updike John Yeats Josep Daústin José Carlos de Souza José Geraldo de Barros Martins José Inácio Vieira de Melo José Miranda Filho José Paulo Paes José Ricardo Nunes José Saramago José de Almada-Negreiros João Cabral de Melo Neto João Guimarães Rosa João Werner Junqueira Ayres Kerry Shawn Keys Konstanty Ildefons Galczynski Kurt Weill Leonardo André Elwing Goldberg Lluís Llach I Grande Lou Reed Luis Serguilha Luiz Otávio Oliani Luiz Roberto Guedes Luther Lebtag Léon Laleau Lêdo Ivo Magnhild Opdol Manoel de Barros Marco Rheis Marcos Rey Mari Khnkoyan Maria do Rosário Pedreira Marina Abramović Marina Alexiou Mario Benedetti Mario Quintana Mariângela de Almeida Marly Agostini Franzin Marta Penter Marçal Aquino Masaoka Shiki Maser Matilde Damele Matthias Johannessen Michael Palmer Miguel Torga Mira Schendel Moacir Amâncio Mr. Mead Murilo Carvalho Murilo Mendes Márcio-André Mário Chamie Mário Faustino Mário de Andrade Mário de Sá-Carneiro Nadir Afonso Nuala Ní Chonchuír Nuala Ní Dhomhnaill Nâzım Hikmet Odd Nerdrum Orides Fontela Orlando Gibbons Orlando Teruz Oscar Niemeyer Osip Mandelstam Oswald de Andrade Pablo Neruda Pablo Picasso Patativa do Assaré Paul Funge Paul Henry Paulo Afonso da Silva Pinto Paulo Cancela de Abreu Paulo Henriques Britto Paulo Leminski Pedro Du Bois Pedro Lemebel Pete Doherty Petya Stoykova Dubarova Pink Floyd Plínio de Aguiar Pádraig Mac Piarais Qi Baishi Rafael Mantovani Ragnar Lagerbald Raquel Naveira Raul Bopp Regina Alonso Renato Borgomoni Renato Rezende Renato de Almeida Martins Ricardo Portugal Ricardo Primo Portugal Ronald Augusto Roniwalter Jatobá Rowena Dring Rui Carvalho Homem Rui Lage Ruy Belo Ruy Espinheira Filho Ruzbihan al-Shirazi Régis Bonvicino Salvado Dalí Sandra Ciccone Ginez Santiago de Novais Saúl Dias Scott Scheidly Seamus Heaney Sebastian Guerrini Sebastià Alzamora Shahram Karimi Shorsha Sullivan Sigitas Parulskis Silvio Fiorani Smokey Robinson Sohrab Sepehri Sophia de Mello Breyner Andresen Souzalopes Susana Thénon Susie Hervatin Suzana Cano Sílvio Ferreira Leite Sílvio Fiorani The Yes Men Thom Gunn Tim Burton Tomasz Bagiński Torquato Neto Túlia Lopes Vagner Barbosa Val Byrne Valdomiro Santana Vera Lúcia de Oliveira Vicente Werner y Sanchez Victor Giudice Vieira da Silva Vinícius de Moraes W. B. Yeats W.H. Auden Walt Disney Walter Frederick Osborne William Kentridge Willian Blake Wladimir Augusto Yves Bonnefoy Zdzisław Beksiński Zé Rodrix Álvaro de Campos Éle Semog