Definição

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano VI Número 63 - Março 2014

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Poesia - Aristides Klafke

Nobody (Polaroid) ~ Andrea Tonellotto
22

Se de poesia um dia padeci
(morrer por ela eu era capaz)
é porque em mim
ela, excelsa, acesa, excitava
era vício tenaz
Vírus vital que fazia a cabeça

Queimava ruidosa por dentro
Florescia na pele
Palpitava nos olhos
Comprazia a volúpia
Esporeava os sentidos

Mas um dia virou cinza
Vertigem, claridade devastada
Desapareceu do mapa
Tomou chá de sumiço

Outro dia, como se do nada
Ressurgiu enxugada
Altiva e rosada
Renovada
Verve atiçada
Vasta e robusta
Me busca
Onde quer que eu me ache
E brusca
Com cara de santa
Diz que padece de mim
Que é toda minha
“Leve-me contigo! Leve-me contigo!”
Quer vir comigo
Onde quer que (eu)
Vamos

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Tank Human Heart ~ Andy Council
12

Num forno
Meu coração
De barro
- que pão!
               Meu quente coração
Meu coração
Numa cascata
De sangue
- que vinho!
               Meu sedento coração
Meu coração
Na tua mão
Meu amor
- que corte!
               Meu cicatrizado coração

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

São Paulo Neo Noir ~ Jorge Sato
62

Jogo xadrez com uma máscara de vidro
Deus é um peixe ofegante na pia
Acendo e apago o fogo no fogão

Um pavão depenado passeia na mente
Escalo as paredes qual um demente
Everestes deslumbrantes
Crescem por todos os lados

Inexorável, a máscara me encurrala...

Golpeado, rogo clemência...

Na pia, Deus, que é um peixe ofegante
Ofega um assobio

Boto a bunda na cadeira, trinco os lábios levemente
Boto os pés na mesa, suspiro velhos amores
Os cotovelos os mantenho à altura do umbigo
Encho um cálice de fé no futuro da humanidade
Desenho no ar uma frase hedionda (bem cretina)
Abro a porta para entrar um pouco de vento
Escancaro as janelas, jogo fora assédios, desavenças
A cidade fede fezes, parece que vai chover

Meu corpo pede azeite
Unto meu corpo de azeite –que deleite!
Bate forte o desejo de pôr fim
Ao consumo poético de doces e salgados
Tanta porcaria consumida, tanta consumada
Tanta música estridente, tanta fala furada

Incandescente, acendo e apago
O fogo no fogão
Tenho a boca empanturrada de indecência
Acendo e apago
(num fluxo flamejante)
O fogo no fogão

A máscara deliberante
Sussurra xeque-mate... e pronto!
De longe, de fogos ou de trovão
Me chega o eco de um estrondo

Quando dispara arrebatado
Em ritmo radiante
Meu coração gaiatado

E Deus continua assobiando na pia

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Another moon 04, Shimoda Haruhiko
39

corto as unhas das mãos
haicai ou não ((((((((((
luas crescentes no chão

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Campbell's Soup Cans Andy Warhol, 1962

6

Na mente vírus viram parasitas
No coração vírus não viram verso

Simplesmente proliferam
E proliferam como sentenças
Promíscuos

Parasitas na mente
Paraísos em sucessão
Caminhadas abruptas
De um polo ao outro

No coração, ora, no coração
Vírus não viram verso
Viram sentenças
E verso no coração
Acaba virando tremor

Vírus viram vírgulas
Vírus viram traços
Vírus viram tremas
Viram dois pontos

Daí o caso da questão
Que nada tem a ver
Com a resposta dada de antemão

Como agora por exemplo
São os primeiros a chegar
Os últimos a sair

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Seeds Of Life ~ Acrylic on Canvas, 18"x24" ~ Chriss Pagani
28

Usar três colares ao mesmo tempo
um de contas… que sejam benzidas
um de cobre…que evoque estrelas
outro de cerâmica queimada à vela

No pulso direito bracelete de pele de cobra
Sandália de plástico, chapéu de palha imenso
Calça de lona, camiseta de corte africano
Esta a indumentária de hoje

Plantar alho no vaso de mosaico
Escrever a mosca que sai pela janela
Formatar figuras em forma de nave
Esculpir A­U­M numa casca de ovo

Passar a vida a limpo numa pincelada
Reprisar o presente a cada instante
Em sintonia com o vento (sempre com o vento)
Viver como uma semente preste a germinar

Estas as decisões que acabo de tomar

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Hotel ~ by Alan Rudolph
10

Venha meu velho
Venha a mim com teu reino encantado
Sonhar um sonho ao meu lado
Venha arregaçado ocupar
Frente a frente, lado a lado
Esse espaço-espasmo que está vazio

Linguístico linha dura…venha meu velho

Ao orgasmo com os seus ritmos intransigentes
Ao mundo fonético seus aforismos e delírios
O que quiseres, velho sacana, cacofonias
Tautologias, repentes, emboladas, cantorias

Se apodere deste lapitópe megametaforizado
Bombardeie a semântica da improbabilidade
Beba do pão que Zé Limeira importou
E meta a boca no trambone pra valer

Desencrave ficções, sonetos, Baudeilaires
Acelere esta fricção canibalística
Venha obscenizar minha dicotômica dicção
Minha artilharia entorpecida
Minha entonação de britadeira
Venha, velho vate, porque aqui
Aqui
É o meu lugar               O velho lugar
Aqui
É o seu Lugar               O mesmo lugar

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Paul van Reeven
5

Lacônico me sucinto me
Objetivo me amotino me
Excitado me exacerbo me
Penitente me derivo me
Derivado me desafino me
Paradigmático me indefino me

Resta não divagar
Melhor calhar
Calar o medo de errar
Ser ou não ser prolixo
Deixou de ser questão
Ficar por aqui
Das infinitas possibilidades
Mágica decisão

Aos convictos de poesia
Digo que fico e que ficarei
(Que sina!)
Dentro deste poema
(meu melhor DNA)
Até não mais poder ficar

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Pineapple Imposter ~ Scott Fraser
63

Abacaxi melhor que abracadabra
Cabe direitinho
Luva de luxo
No final de nosso caso

Descascada, palavra ideal
Para ilustrar nossa relação
De escritor e leitor
Sem acidez – nua – sem rancor

Termina aqui o nosso caso
Abacaxi, não abracadabra
É a palabra que ofereço
Amarelinha para você

Desfrute dela, meu estimado
Desfrute da fruta bela
Do inefável, do selvagem
Do picante que energiza

Faça dela abacaxibirra
Chave que abre o corpo
Para que a poesia entre e saia
Provocando prazer

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

La Lampe philosophique, 1936 ~ René Magritte
38

Posso ver uma flecha passando pelo meu olho
Mesmo quando não há flecha alguma
                                        passando pelo meu olho
E não é mágico o meu olho
Que fique claro: não delira minha língua
Lucrécio não me deixa mentir - quem se lembra dele?
Além da flecha que passa e não passa pelo meu olho
Posso ver pessoas mesmo quando pessoas
Não passam pelo meu olho
(teria Zenão algo a ver com isso?)
Em todo caso posso ver poemas resultando disso

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Foto source: Hole Ousia
Fotomanipulação: Eduardo Miranda
2

Na tapera aranha é mato
Picumã cobre as cumeeiras
Janelas sem batentes
Portas, só os vãos
No chão batido, tocos de vela
Cacos de telhas por todo canto

O telhado pilhado evaporou...
No centro da sala, do que era sala
Um crânio de cachorro, ossos variados
Garrafas vazias, carvão da mobília queimada

O cheiro de cinza
O silêncio de cinza
O vazio de cinza...
É de cinza a poesia retida na lembrança
Que o escombro revela

Na tapera a arte é vista nas teias…
Aranha nela é mato
São as mesmas que vieram sonorizar estas linhas

De súbito )volúpia de vôo( o ruflar de asas:
Curiango, morcego, coruja, assombração…
Mera imaginação… ou recordação do susto passado?

Os grilos, invisíveis, indivisíveis, infinitos
Residindo na reminiscência...

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Bid now on Hope, by Robert Indiana

4

Não posso não falar do amor com amor e para o amor
Expôr o rumor da vulcânica emoção que aumenta de volume
Toda vez que você, meu amor, aparece em minha frente
E desaparece de meu sentimento de saudade

Não posso não falar do amor camaleônico
Que nos dita ordens de trás pra frente
E nos atraca um ao outro, sem perdão

Do amor de ter na minha mão a sua mão
Como corrente... tê-las entrelaçadas

Da mútua masturbação de nossas línguas
Nossos lábios, nossos dentes mordiscantes
Não posso não… dos predicados …
De nosso amor endiabado, febril, esfomeado
Nao posso não, meu amor
Do sentimento embargado... bruxuleante…

Nao posso não parar meu amor
Não posso não...
Meu amor, não posso não…
Do amor… falar
Que todo caminho
Leva
E traz
O seu arôma
Que falar eu te amo
É uma arte
Pouco praticada
Em poesia

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke

Even Fiends Need Friends, by Andy Kehoe

3

Pego o P da tecla e o ponho de pausa
Pego o P -- de novo -- e o ponho de pus
Pô-lo de pus depois da pausa veio natural
Meu modo de escrever é assim
O P em minha mão vira pirueta
E para papagaiar a linguagem
Espremo um ponto como espremo um Q
Pego o ponto, e o Q, o bagaço do ponto, e do Q
E os sugo pelo orgasmo que eles dão
Escrevo qama, não cama. Qafka não Kafka
O uso em Qabral, Qamões, Qasmurro...
Com a lingua qabocla que possuo
Falo do amor fadado a rascunho
Do amor pelo eterno indeterminado
Pelo branco, pelo vago, pelo ausente
Escrevo de graça, fiado
Por capricho escrevo francamente
Desfruto de cada sentença
E fé na humanidade -que coisa inclemente!
É o que me faz compor este poema
Por regozijo (palavra é fogo!)
Invoco Dionísio e seus ditirambos
E para o deleite de visionários e videntes
Digo obrigado, muito obrigado, e terra à vista!

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Aristides Klafke


Primeiro De Fevereiro de 2013 Não é Um Dia Como Outro

Minha cabeça Minha paciência
Meu auto retrato com orelha cheia de brinco
Todos juntos na direita
Um forma de folha de maconha
Outro âncora convencional
O terceiro caveira típica pirata
Um dragão gracioso de prata
Uma folha fininha de madeira
Não repare, prepare-se para o baque

Minha nossa! Aos 60
A gente nem pensa em etiqueta
No calendário anota a data do exame de prostrata
Usa óleo de cânfora nos tornozelos
Volta a ler volumes nunca terminados de Proust

Não canso de repetir meu mantra de toda manhã
Graças a Deus não mais quebro a cabeça
Com epítetos truísmos e centelhas
Minha vida é perfeita se perfeito podemos chamar
O simples ato de respirar

Sou fiel ao ar que boto para dentro
Sou fiel ao ar que sai de dentro de mim
Como um gato mato o tempo aos pouquinhos
Mas primeiro brinco com ele, o torturo com ternura
Enquanto eclodem ao meu lado
Miasmas e mais miasmas

Adoro root rock
Rock de hoje nem tanto
Clássica todas elas
Mas se escolho qual delas
Fico com Bach
Bach me desfaz
Quando o ouço
Soçobro
Sou silêncio

Meu poeta de cabeceira não revelo
Um luxo que reservo para o próximo evento
O tempo me fascina como uma folha
Duas palavras que pronuncio a cada momento
Folha e Tempo
De livro
De poesia

Poesia - Aristides Klafke

Morning window, by Pysar Yurii


1

Confesso que vi o vento — esta manhã —
passar disfarçado de janela por minha violeta
Sim, esta manhã, confesso que vi o vento
passar disfarçado de violeta por minha janela
Assinei, como vento, esta manhã, minha sentença final:
Execução por sintaxe, lavra por lavra, sinal por sinal
Estava noutra esfera esta manhã. Comovido da vida
Pensava em bigorna, ferradura, carabina, roda, espora
Minha alma quer martelo agora – amalgamar esta manhã
com a manhã de amanhã, é o que mais ela quer...
Minh’alma algemada ao caos, feérica e furtiva
Essa coisa dura de dupla naturalidade, alminha mimada
Alma desdenhada que clama, reclama, implora catarse
Adora promover tempestade a troco de nada
Agora, fervorosa, quer que todos saibam disso

[ in "Quebrada", livro ainda inédito de poesia de A.S.Klafke ]

Foreign Word - Aristides Klafke

Arrogant Fish ~ Tania Vasylenko
Advice

you should return the smile
to the establishment

uneventful you must pass by the people
like the world did not exist,
you must pass only, oblivious.

become a widower of feeling
run away in the middle of the battle
and stock the sex

you should be ludicrous, my friend
noiseless
you should open up
          into chaos.

and be well!

Conselho

você deve devolver o sorriso
ao poder

sem novidade deve passar pelas pessoas
como se o mundo não existisse,
deve passar apenas, alheio.

ficar viúvo do sentimento
desertar em plena luta
armazenar o sexo

você deve ser absurdo, amigo
silencioso
você deve inaugurar-se
          no caos.

e passar bem!


[ in Contramão - poemas, Coleção PF, Edições Pindaíba / Poesias Populares, 2a edição, Setembro, 1978 ].

Releitura - Aristides Klafke

el poeta, by Aristides Klafke
Janeiro

sim, é janeiro novamente. mais um ano de espera, mais um ano de convívio com as feras, com o ódio. é o janeiro de sempre a fazer brasas no corpo de um homem já quase desterrado, plantado no chão como uma árvore de acrílico, sem voz. é mais um ano que me vejo acrescentando tempos sem histórias, encurralado como lebre, como observado por um tigre baleado, como uma tartaruga aleijada no asfalto quente. (nos vastos pátios da capital homens em semicírculos absurdos abusam do calor do sol, cientistas encapuzados cortam com bisturi magnético a língua do condenado à prisão perpétua). me sinto como cobra entre cobras, portador de venenos raros, animal encavacado na floresta devastada onde feridas florescem como flores em jardins adubados. sou companheiro de pequenos insetos que tramam conspirações impraticáveis, e me preocupa os rios de lágrimas que continuam a crescer, como o bico molhado do pássaro domesticado que fez meu ombro de morada; me preocupa, o mar de sangue coagulado em cada esquina. sim, é mais um ano de nuvens clandestinas a fazer greves aos astros, mais um ano de despachos e feitiçarias, à espera de tempestades. sim, é janeiro na cidade, e esse janeiro de agora ferve na alma como ferve o latido de um peixe nas ondas do mar, como ferve o bailado dos mendigos que sapateiam nos lagos infetados de esqueletos, como pardais varridos, como as hienas que choram de desgosto nas avenidas. sim, é janeiro, e confesso que já me sinto devorado, iniciando-me no ano mais velho que a tristeza de um velho, sem perspectivas, assim cada vez mais alheio aos mortos e aos vivos, feito louco nessa praça desocupada, esperando a noite chegar e trazer suas estrelas predestinadas, enquanto o sol arde como vinagre na carne viva do peito onde a pele foi impiedosamente arrancada pelo emissário do inimigo. sim, é janeiro na cidade, o mesmo janeiro do ano passado.

[in Contramão, Casa Pyndahýba, São Paulo, 1978]

TUDA - pap.el el.etrônico

Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano II Número 13 - Janeiro 2010
Ilustração - Aristides Klafke

TUDA - pap.el el.etrônico

Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano I Número 12 - Dezembro 2009
Ilustração - Aristides Klafke

Autores

Ademir Demarchi Adriana Pessolato Adília Lopes Afobório Agustín Ubeda Alan Kenny Alberto Bresciani Alberto da Cunha Melo Aldo Votto Alejandra Pizarnik Alessandro Miranda Alexei Bueno Alexis Pomerantzeff Ali Ahmad Said Asbar Almandrade Alyssa Monks Amadeu Ferreira Ana Cristina Cesar Ana Paula Guimarães Andrew Simpson Anthony Thwaite Antonio Brasileiro Antonio Cisneros Antonio Gamoneda Antonio Romane António Nobre Ari Candido Fernandes Ari Cândido Aristides Klafke Arnaldo Xavier Atsuro Riley Aurélio de Oliveira Banksy Bertolt Brecht Bo Mathorne Bob Dylan Bruno Tolentino Calabrone Camila Alencar Carey Clarke Carla Andrade Carlos Barbosa Carlos Bonfá Carlos Drummond de Andrade Carlos Eugênio Junqueira Ayres Carlos Pena Filho Carol Ann Duffy Carolyn Crawford Cassiano Ricardo Cecília Meireles Celso de Alencar Cesar Cruz Charles Bukowski Chico Buarque de Hollanda Chico Buarque de Hollanda and Paulo Pontes Claudia Roquette-Pinto Constantine Cavafy Conteúdos Cornelius Eady Cruz e Souza Cyro de Mattos Cândido Rolim Dantas Mota David Butler Denise Freitas Desmond O’Grady Dimitris Lyacos Dino Valls Dom e Ravel Donald Teskey Donizete Galvão Donna Acheson-Juillet Dorival Fontana Dylan Thomas Décio Pignatari Edgar Allan Poe Edson Bueno de Camargo Eduardo Miranda Eduardo Sarno Eduvier Fuentes Fernández Elaine Garvey Elizabeth Bishop Enio Squeff Ernest Descals Eugénio de Andrade Evgen Bavcar Fernando Pessoa Fernando Portela Ferreira Gullar Firmino Rocha Francisco Niebro George Callaghan George Garrett Gey Espinheira Gherashim Luca Gil Scott-Heron Gilberto Nable Glauco Vilas Boas Gonçalves Dias Grant Wood Gregório de Matos Guilherme de Almeida Hamilton Faria Henri Matisse Henrique Augusto Chaudon Henry Vaughan Hilda Hilst Hughie O'Donoghue Husam Rabahia Ian Iqbal Rashid Ingeborg Bachmann Issa Touma Italo Ramos Itamar Assumpção Iulian Boldea Ivan Donn Carswell Ivan Justen Santana Ivan Titor Ivana Arruda Leite Izacyl Guimarães Ferreira Jacek Yerka Jack Butler Yeats Jackson Pollock Jacob Pinheiro Goldberg Jacques Roumain James Joyce James Merril James Wright Jan Nepomuk Neruda Jason Yarmosky Jeanette Rozsas Jim McDonald Joan Maragall i Gorina Joaquim Cardozo Joe Fenton John Doherty John Steuart Curry John Updike John Yeats Josep Daústin José Carlos de Souza José Geraldo de Barros Martins José Inácio Vieira de Melo José Miranda Filho José Paulo Paes José Ricardo Nunes José Saramago José de Almada-Negreiros João Cabral de Melo Neto João Guimarães Rosa João Werner Junqueira Ayres Kerry Shawn Keys Konstanty Ildefons Galczynski Kurt Weill Leonardo André Elwing Goldberg Lluís Llach I Grande Lou Reed Luis Serguilha Luiz Otávio Oliani Luiz Roberto Guedes Luther Lebtag Léon Laleau Lêdo Ivo Magnhild Opdol Manoel de Barros Marco Rheis Marcos Rey Mari Khnkoyan Maria do Rosário Pedreira Marina Abramović Marina Alexiou Mario Benedetti Mario Quintana Mariângela de Almeida Marly Agostini Franzin Marta Penter Marçal Aquino Masaoka Shiki Maser Matilde Damele Matthias Johannessen Michael Palmer Miguel Torga Mira Schendel Moacir Amâncio Mr. Mead Murilo Carvalho Murilo Mendes Márcio-André Mário Chamie Mário Faustino Mário de Andrade Mário de Sá-Carneiro Nadir Afonso Nuala Ní Chonchuír Nuala Ní Dhomhnaill Nâzım Hikmet Odd Nerdrum Orides Fontela Orlando Gibbons Orlando Teruz Oscar Niemeyer Osip Mandelstam Oswald de Andrade Pablo Neruda Pablo Picasso Patativa do Assaré Paul Funge Paul Henry Paulo Afonso da Silva Pinto Paulo Cancela de Abreu Paulo Henriques Britto Paulo Leminski Pedro Du Bois Pedro Lemebel Pete Doherty Petya Stoykova Dubarova Pink Floyd Plínio de Aguiar Pádraig Mac Piarais Qi Baishi Rafael Mantovani Ragnar Lagerbald Raquel Naveira Raul Bopp Regina Alonso Renato Borgomoni Renato Rezende Renato de Almeida Martins Ricardo Portugal Ricardo Primo Portugal Ronald Augusto Roniwalter Jatobá Rowena Dring Rui Carvalho Homem Rui Lage Ruy Belo Ruy Espinheira Filho Ruzbihan al-Shirazi Régis Bonvicino Salvado Dalí Sandra Ciccone Ginez Santiago de Novais Saúl Dias Scott Scheidly Seamus Heaney Sebastian Guerrini Sebastià Alzamora Shahram Karimi Shorsha Sullivan Sigitas Parulskis Silvio Fiorani Smokey Robinson Sohrab Sepehri Sophia de Mello Breyner Andresen Souzalopes Susana Thénon Susie Hervatin Suzana Cano Sílvio Ferreira Leite Sílvio Fiorani The Yes Men Thom Gunn Tim Burton Tomasz Bagiński Torquato Neto Túlia Lopes Vagner Barbosa Val Byrne Valdomiro Santana Vera Lúcia de Oliveira Vicente Werner y Sanchez Victor Giudice Vieira da Silva Vinícius de Moraes W. B. Yeats W.H. Auden Walt Disney Walter Frederick Osborne William Kentridge Willian Blake Wladimir Augusto Yves Bonnefoy Zdzisław Beksiński Zé Rodrix Álvaro de Campos Éle Semog