Definição

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano VI Número 63 - Março 2014

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Poesia - Arnaldo Xavier

Ogum


(...)

13

O negro
engole
o grego

14

verde vermelho
amarelo azul
pássaro muda de hábito

15

Ebóluz
Oriflor
Ebory

16

Regras )do fogo
labirintos flutuantes
chamas(do jogo

(...)

Poesia - Souzalopes

Giuseppe Pongolini - Contemporary Crucifixion
Contemporary wall sculpture, 48X27 inches

ferro & carcoma
livro inédito de Souzalopes

ferro

assopra meu avô assopra no ouvido
do filho do teu filho do que não ouviu
que não ouviu o grito não ouviu o galo
nem galope e madrugada é ele quem
é ele quem é ele por que vive e não
destampa do ouvido o vento e sua vela
sendo sebo e chama é algo que se apaga
ou linho tenso sobre lenho vide dobra
danzol torcido certo meu avô assopra
e o peixe disse eu tortura sofre

não é com fé disse meu avô mas é com erro
que se faz o ferro e meu pai mostrou
um pau pegando fogo e no fogo a pedra
que parte foi do chão até parece água
que apaga a brasa e disse meu avô
que ferro que avua viu meu pai falou
meu pai falou este metal orafundido
é tão pesado eu oradisse afunda nágua

aí força não há disse meu avô é no forjar
que se forma o ferro e falou meu pai
que frágua que bigorna e também falou
do marte e do martelo e depois tem dia
de lenha ou de lei e tem que meu avô
disse do vento aieste oi o fole faz
um fogo vivo oieste ai cambono foi
que falo eu se é forjado é carbono sem

basta bater o ferro disse meu avô
que se faz o medo isto é moeda
de perdido peido ô merda submersa
ó eleison kirie ó ave sob sabre
o que restou da asa nem a liberdade
sobrou meu pai falou esta merreca
na mesa da miséria vide que egesta
uma bosta suja e eu falei é coisa
é coisa da recusa é cu no parafuso

é de ferro disse meu avô também o cravo
e também o prego e também é pouco
todo perigo e meu pai falou um cego
faz olho no arame e outro passa rente
da farpa fria e foi vazado e é vazio
o prato do pobre então eu disse a fome
é um artigo triste é ferrugem eu disse

e foi-se toda posse aí disse meu avô
repousa nesta quebra um finado osso
do morto que morreu fulano sua ferida
será do ferro ou foi da vida aí meu pai
falou foi queda este defunto aquece
o aço e reza o morte e todo ferro
terá risco e depois corte e meu avô
disse da carne é fio que apodrece
ô fibra que já fede ô coita que se tece
e eu o que falei aqui a alma cede

aí dizia meu avô gemer gemer na nossa
língua contra o ferro dói e ai daquela
cadela ai do seu dente mas meu pai
na época diz oi como se acoita ai
um pardo escorraçado esta pereba
de ferro velho oi só é mais tarde
um gosto ai da lama e do lamento ai
da língua eu falei foi do dejeto oi
do dia ei se degemer degemerai

depois disse meu avô agora o ferro
também falece frio assim a faca
afoga o canto um rio na garganta
do galo degolado morto aí meu pai
falou foi ferro e brasa é o que marca
um boi bitelo novo e falou foi um
ferrão no boi doente e eu disse é fero
revérbero sem doce @ por isso nasci hoje

Carcoma

carcoma tudo carcoma
a mãe do fome dizia
toda carne será podre
no desterro e terá dente
mordendo tarde carcoma
tudo carcoma carcoma

carcoma tudo carcoma
o peito da mãe carcoma
cheiro murcho de azedo
na parede que se abala
teve sangue nesta rede
teve ouro e carcoma
seu dono tudo carcoma

a mão que o ama carcoma
tudo carcoma que o corvo
nem passa nem pousa na sorte
de um defunto urubu
que toda carniça carcoma
aquela carne do nome
carcoma tudo carcoma

lepra e carcoma a usada
usura ulcera tal pedra
podre se leva carcoma
seu nome seu carcinoma
seu escrito de escroto
carcoma tudo carcoma

um sol de sebo na prensa
do medo que merda carcoma
a parte do verme a pátria
de todo defunto é seu morte
seu leste vindo sem vento
pedaço de peste no prato
tão triste tão sujo caco
carcoma tudo carcoma

carcoma tudo até
seu dente senhora cair
tudo carcoma seu dente
já podre com precioso
osso no riso carcoma
tudo senhora que é
seu riso carcoma tudo
carcoma o fel de quem ri

carcoma tudo carcoma
o pão do pobre pisado
pesado nome do não
rasgado na rama sêca
do seu medo semeado
seu arremedo de nada
seu ódio seu óbito frio
sua arma tudo carcoma
carcoma a luz que o viu

carcoma tudo carcoma
o mundo que o pariu
no azinhavre da vida
e outros vizinhos do morte
carcoma aquilo que sobra
também carcoma esta lua
usada coisa de uivo
de poesia e de cão
a mãe do fome dizia
tudo carcoma carcoma

Poesia - Plínio de Aguiar

Work of French Painter Pascal Chove
Allegro

Existem
Presos em frases e deitados em mesas de bares
Mais extensos que o mundo.

Ainda assim
Nem tão imenso e fundo
O poema persiste.


Plínio de Aguiar
SSA, novembro 2011

Poesia - Hamilton Faria

O Circo - Alexandre Rapoport
Ternura

                         o circo
                         o cavalo
                         o trem

o palhaço que ainda hoje me faz rir
o circo pegando fogo
o cavalo mais belo da retina
um trem de querubins
o palhaço que ainda hoje riu de mim

luz pura
linhas seguras
dentro : fogo aceso
fora : mundo ao acaso
ternura
ri singela
na janela

luminosa água que arde

o mundo brilha
como a arte

Poesia - Santiago de Novais

Imagem enviada pelo autor

a pedro, mon drama.
LA SANGRE BUENA PARALAXE

Andar toda cannabis da vida menos eu
que semente ?
Semeada escrúpulos em areia 
Fomos nós e nossos espermatozoides basálticos
Alucinados?
Depois de     nossa pena
De viver    dias estranhos
De serem vividos   à sangue fria
Como se tivéssemos   sangue de menos na veia
A fé nossa morfina  que nos
ssa l ta                         a    ss sal            ta
so  bre ss  alta
para o além da   possibilidade esgotadas.
A heroína de entender  que viver é esta 
Hemorragia que não  conseguimos conter
E que nos mata.
Como estar num aquário e ser visto Sem que ninguém de nos tirar. Passa.

Poesia - Dorival Fontana

The Enigma of Desire - Salvador Dali, 1929
Analgesia

Toda dor faz
crescer.
Toda dor faz
morrer.
A dor não
passa.
A morte
tarda.
A vida segue
apressada.
Corre feito
máquina...
e vai sem mim.
Toda dor já
não sinto.
Todo amor
extinto...
Contínua ressaca
de um arrastão
sem fim.

Poesia - Pedro Du Bois

The Blue Door, by Darice Machel McGuire
Memória

Pelo vão da porta
insiro a memória

cobro pela entrega
o gesto
desprendido do envelope
sob a porta

envelopo a série
e na espera tenho
a sequência mnemônica
dos atrasos

a companhia alarma a casa
e sobre o assoalho
repousa a prova na memória
avivada dos extremos.

Poesia - Carla Andrade

Ricardo Fernandez Ortega
Arquitetura do deserto

Tempo,
flanela das remelas
dos dias.
Tempo, escavadeira de
esperanças.
Tempo, bailarina no
deserto.

Leve embora suas pernas oleosas
para onde não haja as mãos da
saudade.

Poesia - Edson Bueno de Camargo

Inspiration - Misha Gordin
os anjos e os santos

os vidros
bebem os reflexos do dia
lento
a luz se extingue

ai os anjos e
os santos espreitam
nas encruzilhadas
observam atônitos
o medo disforme dos esquecidos
a boca escancarada e sem som

o prédio é música diatônica
o canto da grama crescendo
a primavera está por todos os lados
flores urbanas enfrentam a morte

lacônico
o Sol não responde
as perguntas tortas desta tarde
e a figueira descansa seu sono dos dias

o cromo das costas dos dedos
as romãs foram esquecidas

o velho se repete no novo
de forma indefinida e definitiva
(na memória tudo mente)

Poesia - Marina Alexiou

Imagem enviada pela autora
ESCRITO Nº67

Vistas dos longevos das distâncias históricas à sua frente,
As pupilas eram como um sol mergulhado no horizonte em direção ao ocaso
Das reminiscências corajosamente enfrentadas, ao longo de um trajeto único e gloriosamente vivido,
Com braços generosos e sedutores a enlaçar com abraços uma fenda qualquer dos tesouros com os quais a sua gênese a agraciou.

Fortaleza e graça. Sinônimos desse delicado perfil que se apresenta aos deuses, que a confortam com vislumbres de imagens que pensava perdidas para sempre...
A sinuosidade de seus movimentos exerce uma mutação nos ventos dos caminhos volvendo o mapa e o intento dos seus desígnios.

Nesse declínio solar o dia, porém, não se findou. Ela olha para o poente e vê, com surpresa, um novo alvorecer. Nítido. Estranho. Incomum.

Da superfície do mar em seus olhos se põe, então, a brilhar essa inesperada aurora. E o som que a contempla é pleno de raios sibilantes de enigmas.

A continuidade deste dia dependerá da constância da sua vigília e da atenção a cada sonho vislumbrado nessa onírica imensidão....

Que a segue numa vertiginosa embriaguez de mensagens e respostas revelando aquilo que ela já suspeitava em seu íntimo.

A sua face de esfinge.....

Autores

Ademir Demarchi Adriana Pessolato Adília Lopes Afobório Agustín Ubeda Alan Kenny Alberto Bresciani Alberto da Cunha Melo Aldo Votto Alejandra Pizarnik Alessandro Miranda Alexei Bueno Alexis Pomerantzeff Ali Ahmad Said Asbar Almandrade Alyssa Monks Amadeu Ferreira Ana Cristina Cesar Ana Paula Guimarães Andrew Simpson Anthony Thwaite Antonio Brasileiro Antonio Cisneros Antonio Gamoneda Antonio Romane António Nobre Ari Candido Fernandes Ari Cândido Aristides Klafke Arnaldo Xavier Atsuro Riley Aurélio de Oliveira Banksy Bertolt Brecht Bo Mathorne Bob Dylan Bruno Tolentino Calabrone Camila Alencar Carey Clarke Carla Andrade Carlos Barbosa Carlos Bonfá Carlos Drummond de Andrade Carlos Eugênio Junqueira Ayres Carlos Pena Filho Carol Ann Duffy Carolyn Crawford Cassiano Ricardo Cecília Meireles Celso de Alencar Cesar Cruz Charles Bukowski Chico Buarque de Hollanda Chico Buarque de Hollanda and Paulo Pontes Claudia Roquette-Pinto Constantine Cavafy Conteúdos Cornelius Eady Cruz e Souza Cyro de Mattos Cândido Rolim Dantas Mota David Butler Denise Freitas Desmond O’Grady Dimitris Lyacos Dino Valls Dom e Ravel Donald Teskey Donizete Galvão Donna Acheson-Juillet Dorival Fontana Dylan Thomas Décio Pignatari Edgar Allan Poe Edson Bueno de Camargo Eduardo Miranda Eduardo Sarno Eduvier Fuentes Fernández Elaine Garvey Elizabeth Bishop Enio Squeff Ernest Descals Eugénio de Andrade Evgen Bavcar Fernando Pessoa Fernando Portela Ferreira Gullar Firmino Rocha Francisco Niebro George Callaghan George Garrett Gey Espinheira Gherashim Luca Gil Scott-Heron Gilberto Nable Glauco Vilas Boas Gonçalves Dias Grant Wood Gregório de Matos Guilherme de Almeida Hamilton Faria Henri Matisse Henrique Augusto Chaudon Henry Vaughan Hilda Hilst Hughie O'Donoghue Husam Rabahia Ian Iqbal Rashid Ingeborg Bachmann Issa Touma Italo Ramos Itamar Assumpção Iulian Boldea Ivan Donn Carswell Ivan Justen Santana Ivan Titor Ivana Arruda Leite Izacyl Guimarães Ferreira Jacek Yerka Jack Butler Yeats Jackson Pollock Jacob Pinheiro Goldberg Jacques Roumain James Joyce James Merril James Wright Jan Nepomuk Neruda Jason Yarmosky Jeanette Rozsas Jim McDonald Joan Maragall i Gorina Joaquim Cardozo Joe Fenton John Doherty John Steuart Curry John Updike John Yeats Josep Daústin José Carlos de Souza José Geraldo de Barros Martins José Inácio Vieira de Melo José Miranda Filho José Paulo Paes José Ricardo Nunes José Saramago José de Almada-Negreiros João Cabral de Melo Neto João Guimarães Rosa João Werner Junqueira Ayres Kerry Shawn Keys Konstanty Ildefons Galczynski Kurt Weill Leonardo André Elwing Goldberg Lluís Llach I Grande Lou Reed Luis Serguilha Luiz Otávio Oliani Luiz Roberto Guedes Luther Lebtag Léon Laleau Lêdo Ivo Magnhild Opdol Manoel de Barros Marco Rheis Marcos Rey Mari Khnkoyan Maria do Rosário Pedreira Marina Abramović Marina Alexiou Mario Benedetti Mario Quintana Mariângela de Almeida Marly Agostini Franzin Marta Penter Marçal Aquino Masaoka Shiki Maser Matilde Damele Matthias Johannessen Michael Palmer Miguel Torga Mira Schendel Moacir Amâncio Mr. Mead Murilo Carvalho Murilo Mendes Márcio-André Mário Chamie Mário Faustino Mário de Andrade Mário de Sá-Carneiro Nadir Afonso Nuala Ní Chonchuír Nuala Ní Dhomhnaill Nâzım Hikmet Odd Nerdrum Orides Fontela Orlando Gibbons Orlando Teruz Oscar Niemeyer Osip Mandelstam Oswald de Andrade Pablo Neruda Pablo Picasso Patativa do Assaré Paul Funge Paul Henry Paulo Afonso da Silva Pinto Paulo Cancela de Abreu Paulo Henriques Britto Paulo Leminski Pedro Du Bois Pedro Lemebel Pete Doherty Petya Stoykova Dubarova Pink Floyd Plínio de Aguiar Pádraig Mac Piarais Qi Baishi Rafael Mantovani Ragnar Lagerbald Raquel Naveira Raul Bopp Regina Alonso Renato Borgomoni Renato Rezende Renato de Almeida Martins Ricardo Portugal Ricardo Primo Portugal Ronald Augusto Roniwalter Jatobá Rowena Dring Rui Carvalho Homem Rui Lage Ruy Belo Ruy Espinheira Filho Ruzbihan al-Shirazi Régis Bonvicino Salvado Dalí Sandra Ciccone Ginez Santiago de Novais Saúl Dias Scott Scheidly Seamus Heaney Sebastian Guerrini Sebastià Alzamora Shahram Karimi Shorsha Sullivan Sigitas Parulskis Silvio Fiorani Smokey Robinson Sohrab Sepehri Sophia de Mello Breyner Andresen Souzalopes Susana Thénon Susie Hervatin Suzana Cano Sílvio Ferreira Leite Sílvio Fiorani The Yes Men Thom Gunn Tim Burton Tomasz Bagiński Torquato Neto Túlia Lopes Vagner Barbosa Val Byrne Valdomiro Santana Vera Lúcia de Oliveira Vicente Werner y Sanchez Victor Giudice Vieira da Silva Vinícius de Moraes W. B. Yeats W.H. Auden Walt Disney Walter Frederick Osborne William Kentridge Willian Blake Wladimir Augusto Yves Bonnefoy Zdzisław Beksiński Zé Rodrix Álvaro de Campos Éle Semog