Definição

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano VI Número 63 - Março 2014

Showing posts with label 1013 Poesia. Show all posts
Showing posts with label 1013 Poesia. Show all posts

Poesia - Arnaldo Xavier

Robert Copithorne ~ Colours Of The Mountain
subsenhor             Esta cordilheira começa aqui nos meus
pés    E todo deserto continua  e termina fisgado neste olhar

[ in Lud-Lud, Casa Pyndahýba Editora, São Paulo, 1998 ]

Poesia - Aristides Klafke

Seeds Of Life ~ Acrylic on Canvas, 18"x24" ~ Chriss Pagani
28

Usar três colares ao mesmo tempo
um de contas… que sejam benzidas
um de cobre…que evoque estrelas
outro de cerâmica queimada à vela

No pulso direito bracelete de pele de cobra
Sandália de plástico, chapéu de palha imenso
Calça de lona, camiseta de corte africano
Esta a indumentária de hoje

Plantar alho no vaso de mosaico
Escrever a mosca que sai pela janela
Formatar figuras em forma de nave
Esculpir A­U­M numa casca de ovo

Passar a vida a limpo numa pincelada
Reprisar o presente a cada instante
Em sintonia com o vento (sempre com o vento)
Viver como uma semente preste a germinar

Estas as decisões que acabo de tomar

[ in Quebrada, inédito ]

Poesia - Plínio de Aguiar

Circus Texture
Circo 1

Falemos sobre tudo. Exemplo, lona de circo.
Que cobre nossas cabeças de risos e
Rictos no círculo imperfeito da vida.

Ouçamos (outro exemplo) discussões de vizinhos.
Precisamos estar atentos, informações serão
Necessárias, outras nem tanto, não importarão.

Falemos. Apalpemos. Vejamos. Respiremos.
Penosamente estirada a lona é permeável a lanças,
Sonhos arremessados a distraídos.


Plínio de Aguiar
SSA, setembro, 2013

Poesia - Dorival Fontana

Computer Photomontage, 1996-1997 ~ Zdzisław Beksiński
Solilóquio

Aquele que vos fala não é o mesmo que vos escreve,
a velocidade da voz é ágil pensamento,
já a mão pensa, permite a autocensura ao julgar o cérebro impulso.

Quem dera a luz romântica das velas...
talvez uma secretária não eletrônica...

louváveis inventos da perícia tecnológica
alentam a infelicidade latente
eletrônicos meios remoto comunicáveis
desencontram distâncias cada vez mais distantes
alimentam a nossa preguiça teclada do dia a dia
afunilam o pensamento similarmente estreito
outras asas supersônicas nos propaga interativamente
salivas esgotam-se, digitais palavras SPANDEM-SE
as conversas reais interlocutores presentes agora
só possíveis em videoconferência

- Por favor reprograme a sua agenda! Deixe a sua mensagem!
- No momento todas as ideias inteligíveis estão ocupadas!
- Mantenha-se on-line ou cale-se para sempre.

Poesia - Aldo Votto

Paweł Kuczyński
O Outono de um Sátiro

Minha amiga, eu procuro
jamais subir no muro
não para evitar o perigo,
mas porque não consigo

ler uma mensagem como a tua
e não tentar algo que retribua
um mimo como esses versos do gigante
mesmo correndo o risco de ser pedante

E que pareça mera rabugice
Ou repetição do que já se disse
então segue aí, como resposta ao titã
Esta minha paráfrase quase anã.

...

Ser jovem não é virtude
Envelhecer é uma vicissitude
em que devo evitar os quindins
E tentar aprender a andar de patins

Apesar dela, posso comer goiaba
embora pra colhê-la use a escada
Porque não se perde o bom gosto
No entanto, não devo ficar exposto

ao risco de ser visto de pijama
justo pelos olhos de uma bela dama
dessas de vestido transparente
Que me refaz adolescente

Nos sonhos em que divago
que queria ser um mago
para poder me disfarçar
de surfista que sai do mar

Minha amiga, por favor, releve
Meu pouco cabelo coberto de neve
e deixa, pelo menos, que eu acredite
que não se vem ao mundo a convite

Nem se pode impor condições
Como “quero rimar tal Camões!”
Meu modelo é o herói
Que não receia o apupo
E a cada tombo se reconstrói

Alego culpa e, por isso, clemência
Por ter ilusão, mas não demência.
Ainda me ouvirás com algum fôlego
Mesmo caminhando meio trôpego

E estes joelhos agora meio rígidos
Hão de se manter hígidos
Para cumprir até o fim sua função
De dobrar-me diante da criação
Não, não me tornarei um ermitão
(É que ora sei que o que conta é a emoção.)

Por enquanto, jovem senhora
Mandemos a nostalgia embora
e à base de afeto e brincadeira
Encaremos cada nova segunda-feira.

Este é o valor da amizade
A receita para a longevidade.
Se no frio dá vontade de ficar triste
A gente lembra dos amigos e resiste
mas não dispensa o cachecol
até poder trocar as cobertas pelo lençol
E outra vez ver florir o girassol

Às vezes pergunto por que me meto
A bagunçar o coreto
Quando devia ficar quieto
Deixar as respostas para o sábio místico
E ficar a comer pinhão em silêncio profundo
Será porque “quid pro quo” é o meu dístico?

[paráfrase ao poema "O Entardecer de um Fauno", de Luis Fernando Veríssimo]

Poesia - Pedro Du Bois

Mirror ~ Acrylic & Varnish on canvas, 30x30cm ~  Espen Erichsen
Você


Em esquinas diversas deixo
a minha vida. Tenho o bastante
de você: juventude e beleza na certeza
da permanência ao quebrar o destino
em mesmos trajetos. Repito.

Não choro as perdas:
há você e na sua presença
divido o tempo no espaço
permitido entre mãos e pernas.

Reflito nos carros em velocidades
inconsentidas a imagem de você: lustro
o espelho no derradeiro reflexo. Guardo
o pano na recordação de você.


(Pedro Du Bois, inédito)
http://pedrodubois.blogspot.com

Poesia - José Carlos de Souza

Paweł Kuczyński
(haikai)

livro fechado
palavras em silêncio
natureza morta.

Poesia - Marina Alexiou

(Caravaggio)
Imagem enviada pela autora
Ela que um dia fora breve e delicada
Eco desajeitada implorando pela sua própria imagem
diante da gruta escura
Não ouviu a resposta do ser que tanto amou
por longo tempo...
O seu corajoso coração. Voluntarioso e destemido
se deteve diante da grandiosidade do encontro
com aquilo que se mostrou com face dúbia e intransigente.
O torpor de um extasiante e luxurioso perfume
envolveu-lhe os sentidos
Mas o engano encontrava-se a espreita,
em caminhos sinuosos, que sorriam, a pedir
sua constante companhia que lutava por despertar
De uma distância que só a inconsciência molda e abrange,
as tantas horas de eterna busca por conforto e solicitude...
Dessa personagem cujo grito de dor não atravessou
as altas montanhas,
Mas se alojou num lago de límpida quietude
Vertem-se canções e poemas conciliatórios,
a perseguir a redenção da culpa
Que emergiu junto com o reflexo do espelho
na solidão...

Autores

Ademir Demarchi Adriana Pessolato Adília Lopes Afobório Agustín Ubeda Alan Kenny Alberto Bresciani Alberto da Cunha Melo Aldo Votto Alejandra Pizarnik Alessandro Miranda Alexei Bueno Alexis Pomerantzeff Ali Ahmad Said Asbar Almandrade Alyssa Monks Amadeu Ferreira Ana Cristina Cesar Ana Paula Guimarães Andrew Simpson Anthony Thwaite Antonio Brasileiro Antonio Cisneros Antonio Gamoneda Antonio Romane António Nobre Ari Candido Fernandes Ari Cândido Aristides Klafke Arnaldo Xavier Atsuro Riley Aurélio de Oliveira Banksy Bertolt Brecht Bo Mathorne Bob Dylan Bruno Tolentino Calabrone Camila Alencar Carey Clarke Carla Andrade Carlos Barbosa Carlos Bonfá Carlos Drummond de Andrade Carlos Eugênio Junqueira Ayres Carlos Pena Filho Carol Ann Duffy Carolyn Crawford Cassiano Ricardo Cecília Meireles Celso de Alencar Cesar Cruz Charles Bukowski Chico Buarque de Hollanda Chico Buarque de Hollanda and Paulo Pontes Claudia Roquette-Pinto Constantine Cavafy Conteúdos Cornelius Eady Cruz e Souza Cyro de Mattos Cândido Rolim Dantas Mota David Butler Denise Freitas Desmond O’Grady Dimitris Lyacos Dino Valls Dom e Ravel Donald Teskey Donizete Galvão Donna Acheson-Juillet Dorival Fontana Dylan Thomas Décio Pignatari Edgar Allan Poe Edson Bueno de Camargo Eduardo Miranda Eduardo Sarno Eduvier Fuentes Fernández Elaine Garvey Elizabeth Bishop Enio Squeff Ernest Descals Eugénio de Andrade Evgen Bavcar Fernando Pessoa Fernando Portela Ferreira Gullar Firmino Rocha Francisco Niebro George Callaghan George Garrett Gey Espinheira Gherashim Luca Gil Scott-Heron Gilberto Nable Glauco Vilas Boas Gonçalves Dias Grant Wood Gregório de Matos Guilherme de Almeida Hamilton Faria Henri Matisse Henrique Augusto Chaudon Henry Vaughan Hilda Hilst Hughie O'Donoghue Husam Rabahia Ian Iqbal Rashid Ingeborg Bachmann Issa Touma Italo Ramos Itamar Assumpção Iulian Boldea Ivan Donn Carswell Ivan Justen Santana Ivan Titor Ivana Arruda Leite Izacyl Guimarães Ferreira Jacek Yerka Jack Butler Yeats Jackson Pollock Jacob Pinheiro Goldberg Jacques Roumain James Joyce James Merril James Wright Jan Nepomuk Neruda Jason Yarmosky Jeanette Rozsas Jim McDonald Joan Maragall i Gorina Joaquim Cardozo Joe Fenton John Doherty John Steuart Curry John Updike John Yeats Josep Daústin José Carlos de Souza José Geraldo de Barros Martins José Inácio Vieira de Melo José Miranda Filho José Paulo Paes José Ricardo Nunes José Saramago José de Almada-Negreiros João Cabral de Melo Neto João Guimarães Rosa João Werner Junqueira Ayres Kerry Shawn Keys Konstanty Ildefons Galczynski Kurt Weill Leonardo André Elwing Goldberg Lluís Llach I Grande Lou Reed Luis Serguilha Luiz Otávio Oliani Luiz Roberto Guedes Luther Lebtag Léon Laleau Lêdo Ivo Magnhild Opdol Manoel de Barros Marco Rheis Marcos Rey Mari Khnkoyan Maria do Rosário Pedreira Marina Abramović Marina Alexiou Mario Benedetti Mario Quintana Mariângela de Almeida Marly Agostini Franzin Marta Penter Marçal Aquino Masaoka Shiki Maser Matilde Damele Matthias Johannessen Michael Palmer Miguel Torga Mira Schendel Moacir Amâncio Mr. Mead Murilo Carvalho Murilo Mendes Márcio-André Mário Chamie Mário Faustino Mário de Andrade Mário de Sá-Carneiro Nadir Afonso Nuala Ní Chonchuír Nuala Ní Dhomhnaill Nâzım Hikmet Odd Nerdrum Orides Fontela Orlando Gibbons Orlando Teruz Oscar Niemeyer Osip Mandelstam Oswald de Andrade Pablo Neruda Pablo Picasso Patativa do Assaré Paul Funge Paul Henry Paulo Afonso da Silva Pinto Paulo Cancela de Abreu Paulo Henriques Britto Paulo Leminski Pedro Du Bois Pedro Lemebel Pete Doherty Petya Stoykova Dubarova Pink Floyd Plínio de Aguiar Pádraig Mac Piarais Qi Baishi Rafael Mantovani Ragnar Lagerbald Raquel Naveira Raul Bopp Regina Alonso Renato Borgomoni Renato Rezende Renato de Almeida Martins Ricardo Portugal Ricardo Primo Portugal Ronald Augusto Roniwalter Jatobá Rowena Dring Rui Carvalho Homem Rui Lage Ruy Belo Ruy Espinheira Filho Ruzbihan al-Shirazi Régis Bonvicino Salvado Dalí Sandra Ciccone Ginez Santiago de Novais Saúl Dias Scott Scheidly Seamus Heaney Sebastian Guerrini Sebastià Alzamora Shahram Karimi Shorsha Sullivan Sigitas Parulskis Silvio Fiorani Smokey Robinson Sohrab Sepehri Sophia de Mello Breyner Andresen Souzalopes Susana Thénon Susie Hervatin Suzana Cano Sílvio Ferreira Leite Sílvio Fiorani The Yes Men Thom Gunn Tim Burton Tomasz Bagiński Torquato Neto Túlia Lopes Vagner Barbosa Val Byrne Valdomiro Santana Vera Lúcia de Oliveira Vicente Werner y Sanchez Victor Giudice Vieira da Silva Vinícius de Moraes W. B. Yeats W.H. Auden Walt Disney Walter Frederick Osborne William Kentridge Willian Blake Wladimir Augusto Yves Bonnefoy Zdzisław Beksiński Zé Rodrix Álvaro de Campos Éle Semog