Definição

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano VI Número 63 - Março 2014

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Conto - José Geraldo de Barros Martins


O Famoso e Polêmico Padre Orozimbo Bongiovanni

“De lá subiu a Betel; ao subir pelo caminho, uns rapazinhos que sairam da cidade zombaram dele, dizendo: “Sobe, careca! Sobe, careca!” Eliseu virou-se, olhou para eles e os amaldiçoou em nome de Iahweh. Então saíram do bosque duas ursas e despedaçaram quarenta e dois deles.

” ( Reis ll 2:23-24 )
Esta passagem do Velho Testamento marcava o início de mais um sermão do Padre Orozimbo Bongiovanni, pároco de Capinzinho, uma cidade do oeste paranaense que devido seu decréscimo populacional deixou de figurar no mapa do estado em meados da década de sessenta. Sua aversão a crianças sempre fora notória, ao ser questionado pelos fiéis sobre a passagem na qual o Nazareno disse:

“Deixai as crianças virem a mim, não a impeçais, pois delas é o Reino de Deus.” ( Marcos 10:14 ),

ele repondia com uma tese obscura na qual, o sol do deserto teria causado danos à vista de São Jerônimo e quando este transcreveu os textos do hebraico e grego para o latim, criando a Vulgata ( o latim atual ), traduziu equivocadamente a palavra “humildes” por “crianças”…

A homilia daquele domingo transcorria em ritmo desenfreado, como era de costume, na verdade o nosso protagonista já não lembrava mais por onde havia começado aquele discurso, cuja retórica caledoscópica fazia com que os presentes perdessem todo e qualquer vínculo com a realidade… quando de repente, não mais que de repente ele interrompe o sermão e do alto do púlpito grita:

-”E você aí na terceira fila, que está mascando chiclé, o que pensa do que eu estou dizendo???!!!”

Todos olharam para a criança com cerca de dez ou onze anos, que vestida com uma camisa listrada verde e branca sob um macacão laranja, usando uma espécie de boné que cobria as orelhas, olhava indolentemente para o infinito…

– ” Ora, o que o senhor diz, qualquer um pode dizer…” respondeu o pequenino alegre a exalar o seu suor infantil.



-”Como assim? qualquer um…?”



-”Ora, qualquer um qualquer um…”

-“Ah é??? Você está me desafiando??? … então venha cá e reze a missa em meu lugar!!!”.



-“Em português ou em latim?

O Padre Orozimbo olhou fulminantemente para a inocente infante, achando que a combinação de sua expressão facial com o silêncio seria suficiente para intimidar o desafiante mirim.

Porém este avançou lépido até o altar, virou-se para todos que o assistiam e disse:

“Credo in unum Deum,

Patrem omnipotenten,



factorem coeli et terrae,

Visibilum omnium et in visibilum…”


Meia hora depois o pequenino encerrava a missa sob o olhar atônito dos presentes. 

O nosso protagonista nunca mais foi visto em Capinzinho, alguns dizem que atualmente ele é sorveteiro no subúrbio de Nova Igaçu, outros que é preparador de goleiros do Anapolina...

Conto - Cesar Cruz

Louis-Auguste Cezanne, 1865, by Paul Cézanne

Terra Arrasada

Oi, Baby!

Você já tinha reparado que nunca nos falamos por carta? Acho que esta será a primeira vez em quinze anos. Esquisito, né?

Você se lembra quando estivemos aqui pela primeira vez? Nossa! Quanto tempo, hein? Foi há 12 anos, eu me lembro bem do dia...

Éramos noivos e, naquele sábado, fazia um sol bem bonito, e tínhamos ficado desde cedo no sítio daquele casal de amigos seus, da faculdade, tinha rolado um churrasco gostoso, com futebol e piscina, e quando saímos já eram umas quatro da tarde (Raquel e o Lúcio ou Luciano, acho que eram esses os nomes deles; aliás, estarão morando em São Paulo ainda, Baby? Continuam casados? Tiveram filhos? De repente, me ocorreu um pensamento utilitário: será que na casa deles haverá um canto, uma edícula sobrando?). Você tinha aquele Uno vermelho, com nossos cheiros enraizados no tecido gasto do banco de trás. Bons tempos!

Lembro que íamos subindo pela Lapa e, assim que cruzamos a Cerro Corá e começamos a descer a Toneleros, você freou o carro tão forte que quase dei com o rosto no painel. Que foi?, eu perguntei. Você nem me respondeu. Debruçado sobre o volante, olhava para cima, através do para-brisa, como uma criança encantada com uma árvore enorme. Olha essa casa, você falou, com ar bestificado, está para alugar. Descemos do carro. Ligamos do orelhão para o número que constava na placa de aluga-se espetada no jardim. Em meia hora, o corretor chegou para abrir a casa. Lembra quando a gente entrou aqui, nesta sala, Baby? Lembra deste cheiro gostoso da madeira rústica? Ela estava assim, vazia, vazia, como agora, o pé-direito de cinco metros, o piso de longas tábuas largas de madeira antiga, com esse ranger charmoso, que depois o peso dos móveis anulou um pouco, além dos janelões de madeira, lindos!

Alugamos a casa e nos casamos logo depois. Que época boa...! Dali a três anos, quando você começou a ganhar melhor na firma (bem, começou a ganhar melhor é um eufemismo, né? Digamos que sua “retirada” tenha quintuplicado), fizemos uma oferta ao proprietário e a compramos. Você lembra da festa que fizemos, Baby? Só eu e você, rolando neste chão à noite?

A casa sobreviveu a nós, veja só... Quantas gerações já não viveram e fizeram as suas histórias aqui, e quantas ainda não o farão? E eu devo admitir que você foi mesmo um visionário. Ah, sim! Esta casa é linda, Baby, parabéns por tê-la visto, apreciado e compreendido antes de mim. Terei saudades daqui...

Mas me conta, você está surpreso? Fico aqui imaginando o susto, a sensação de desproteção que estará tomando conta de você agora, nesse exato instante. Qual sua cara diante da novidade? Olha, faz tempo que eu quero te fazer essa surpresa! Você me perdoa pela demora? É que para operacionalizar tudo, Baby, para encaixarmos todas as tarefas em meras doze horas (da hora que você sai pela manhã até a hora em que volta à noite), foi uma tarefa de projetista japonês. Sério! E eu e papai fizemos tudo sozinhos. Papai é um gênio, Valdir, você não acreditaria. Ele fez tudo por escrito, com croquis, desenhos esquemáticos, cálculos de horário, a compra das passagens, as nossas necessidades todas, as escalas que faremos e o nosso destino final, só você vendo. Só agora depois que mamãe morreu, e depois de termos nos aproximado por causa disso tudo, descobri esses talento no meu velho. Você sabia que ele não só falsifica assinaturas como também é mestre em arrumar pessoas que se fazem passar por outras até em frente ao tabelião?

Acredita que quando você saiu por essa porta bem aí, atrás de você, hoje às 7h, papai já estava na outra esquina com uma equipe de mudanças?

Me diz: o que você achou da sala vazia, só com a cadeira no centro e as folhas de papel em cima? É o estado da arte, né? Também tenho meus méritos, vai?, não é só o papi que é bom aqui. Não ficou parecendo uma pintura antiga? Admita. Olha lá da porta pra você ver, é uma legítima Natureza-Morta, digna de um Cézanne!

Baby, uma pena, mas meu tempo está se esgotando e tenho que ir. Só mais uma perguntinha: você já correu pelos cômodos da casa com esta carta na mão, endoidecido, o coração aos saltos, como sonhei que você faria? Ai, meu bem, fala, vai!? Não, não me deixa nessa curiosidade, eu estou tão eufórica! Nos meus sonhos, eu via você correndo afobado, o barulhão do piso ecoando nas paredes, você entrando num quarto, depois no outro, depois indo à cozinha, tudo vazio, e você num primeiro momento achando que fosse um daqueles assaltos incríveis em que os caras param um caminhão na frente da casa e levam tudo; e, branco de pavor do desconhecido, com cara de cachorro que se assustou com o estouro de uma bomba, recomeçando, de forma ridícula, a entrar e sair de cada um desses enormes aposentos ocos, cheios de ar, como que para se certificar de que realmente você viu o que achou ter visto.

Nos meus sonhos, Baby, em meio a essa loucura, você se dava conta de que havia uma cadeira no meio do caminho, no meio do caminho havia uma cadeira (Drummond). Oh, então você se espanta, parece haver folhas de caderno sobre a cadeira! Você apanha as folhas e... e... E...! É uma carta! E é a letra da Glória! E, agora, você vai andando e lendo, quase tropeçando, atropelando a leitura, sentindo crescer uma sensação ruim na barriga, de desgraça, de que alguma coisa grande e peluda está para saltar sobre você, e então você urina um pouco nas calças, sem perceber, a testa suada, um suor gelado, seu corpo todo querendo uma conclusão, e devagarzinho você se dá conta de que EU tenho algo a ver com isso tudo... É a MINHA letra ali! Rá rá rá rá! Baby, isso é demais pra mim, eu queria tanto estar aí assistindo de camarote! Pena, mas não se pode ter tudo na vida.

Ah, esqueci de te falar: o carro. Enquanto você está aí lendo, suando e se urinando, o seu carro já foi levado. Vai lá fora conferir, eu espero.

Viu? E não adianta tentar achá-lo, fazer B.O, essas coisas. Papai pagou uns caras bons. A essa altura, ele já deve estar sendo transformado em peças, milhares de peças que abastecerão desmanches pela periferia da cidade. Ei! Espero que você não tenha deixado sua carteira no console, como faz às vezes, senão nem documentos terá mais, pobrezinho!

Alessandra Regina Maconé. 20 de abril de 1988. Vinte e dois anos mais nova do que eu. Do que nós, né, Baby? Terá sido pela idade, ou pelos 30 quilos a menos que você me trocou por ela? Mas agora aqui, agachada, com tudo preparado para partir, escrevendo esta carta sobre o assento desta cadeira, fico pensando: o que o Valdir fará da vida agora sem mim, coitadinho? E sem nada, nada. Nadinha, além desta cadeira para sentar e pensar?

Uma longa viagem me espera, Baby. O papi achou que eu não deveria te incomodar com essa coisa de escrever carta, mas eu discordei. Afinal, sempre fomos tão unidos, não é? Você acredita que papai ocultou de mim nosso destino? Será uma surpresa, ele disse. Adoro surpresas! Será Grécia? Talvez... Noruega, Oslo? Quem sabe. Talvez algo mais próximo, Argentina, Chile. De qualquer forma, vamos só eu e ele. Desculpa não te convidar, é que achei que você preferiria mesmo ficar para recomeçar com sua magrinha.

A essa hora em que você lê isto, já devemos estar em pleno voo internacional. Delícia! Ah, esquece, Baby! Sei o que você está pensando. Não perca o seu tempo. Papi preparou tudo, tudo o que você pode imaginar, até os nomes falsos para o registro no voo. É bom ter dinheiro na mão, né? Papi levantou uma boa quantia com a venda da casa dele e do sítio... E o dinheiro compra tudo, Baby! Até amor verdadeiro, como disse aquele escritor.

Por falar em amor verdeiro, estive pensando na nova vida que se inicia para você e sua jovem Alessandra Magrinha... Com tantas mudanças, ela continuará amando você como diz que ama, um coroa que agora só tem as roupas do corpo sobre a pele? Ah! E você me perdoa por eu não ter dado tempo para que aquele ótimo plano do assalto seguido de morte, que vocês estavam planejando para mim, tenha se concretizado?

Bom, o que passou, passou! Sem mágoas, tá? O que vale é que a partir de agora você começará vida nova com ela.

Por falar em vida nova, vou torcer para as coisas continuarem bem lá na JWO para você. Vai que você dá o azar do doutor Jorge Wilson ter recebido uma carta anônima, cheia de provas, fitas com gravações e extratos bancários que comprovam que você andou desviando nos últimos 9 anos uma fortuna incalculável do caixa da empresa? Isola! Vamos parar já de papo negativo, que isso atrai desgraça, como dizia mamãe. Bola pra frente.

Olha, tenho uma sugestão romântica para te dar: durma hoje aqui com a sua Alessandra-magrinha-e-jovem, traz ela pra cá, Baby, não seja turrão! O único problema é a falta de conforto, mas nada que o amor não supere. Lua de Mel, Baby! Aproveita, hein, que o amanhã pode ser muito incerto.

Aliás, você reparou que a sua chave não quis de jeito nenhum entrar no tambor do trinco? Ainda bem que eu deixei destrancada, né? Viu, como penso em você?

Chega! Chega de contar tudo, menina da língua grande, assim você não deixa nenhuma surpresa para o Valdirzinho curtir amanhã.

Adeusinho, Baby! E fica com o beijo carinhoso da sua, sempre,

Glorinha

Conto - José Miranda Filho

Digital Dreams of a young woman from Buenos Aires in Madrid - Carlos Pardo

Encontro De Amigos - Parte 4

Deixamos Lisboa, depois de dois dias de muita emoção, com o coração partido e a promessa de lá voltarmos muito em breve. Adoramos! Apaixonei-me por Lisboa, Porto e outras cidades que visitamos. Enfim, amei Portugal.

Na manhã seguinte, alguns minutos, após o café da manhã, embarcamos para Madri. O aeroporto internacional de Barajas, como sempre, lotado! Naquela manhã estava ainda mais tumultuado pela chegada da seleção espanhola de futebol que havia disputado e ganho a taça das Américas. Após 50 minutos de voo estávamos em solo madrileno, e a nos esperar um casal brasileiro, amigos de Edward: Marcos e Rosemary, sua mulher.

Madri, a capital espanhola com mais de três milhões de habitantes nos esperava. Sua origem data do ano de 852, quando os Mouros construíram um forte perto do rio Manzanares. Entretanto, somente em 1561 a cidade tornou-se capital de Castela. Alguns séculos depois, durante a gestão dos Habsburgos e Bourbons, é que foram construídos alguns poucos monumentos, como a Plazza Mayor e o Palácio Real.

Marcos, um jovem executivo de um banco multinacional espanhol que opera atualmente no Brasil, exercia suas funções em Madri, para onde fora designado. Começou trabalhando em São Paulo, mas tinha uma vontade imensa de conhecer a Europa, especialmente Espanha. Um desejo que sempre o acompanhou, e que agora se realizara. O banco lhe ofereceu esta oportunidade em Madri. Ao termino do contrato, se assim o desejasse, poderia renová-lo, permanecer em Madri ou retornar ao Brasil.

Eles moram num bairro de classe média alta nos arredores de Madri, Majadahonda, não muito distante do centro. Residem num amplo apartamento, tipo duplex, com quatro quartos e muito conforto. Á frente do apartamento deles dá para se avistar o centro de treinamento do Atlético de Madri, famoso clube de futebol espanhol que abriga alguns brasileiros esperançosos do sucesso. Eles estão em Madri há apenas quatro meses. Sua esposa e filhos terão que retornar ao Brasil para renovação de vistos e resolver outras avenças consulares que a burocracia impõe, e que infelizmente são obrigados cumpri-las.

Passamos boa parte da madrugada recordando dos parentes, dos amigos, da família, enfim, conversando sobre amenidades e da politica do Brasil, bebendo vinho espanhol, conhaque Carlos I, e comendo “jamon” e outras preciosidades da culinária espanhola.

Marcos e Edward são conhecidos de muitos anos atrás. Tornaram-se amigos em São Paulo, durante uma feira de produtos eletrônicos da fábrica que Edward era representante, cujo evento fora patrocinado pelo banco de Marcos.

Ambos continuaram amigos, mesmo depois de Marcos ter regressado ao Brasil. Todos esses anos eles se comunicavam através de e-mails, e aproveitavam a oportunidade para atualizar e trocar ideias dos acontecimentos culturais e profissionais dos países em que viviam.

Levantamos no dia seguinte por volta das dez horas sem compromisso algum, já que quinta e sexta Feira, dias 12 e 13 de outubro eram feriados em Madri. Tomamos o café da manhã na “Confeteria La Flecha” que fica na Avenida Juan Bravo, no centro da cidade. Estávamos todos sentados à mesa nos fundos do restaurante onde dava para se avistar a avenida com seu trânsito caótico e barulhento. De repente, um cidadão que ninguém viu de onde veio, bêbado e impertinente, dirigiu-se para Carlos - um amigo espanhol de Marcos, também presente - e que fora nos apresentado naquele momento, dirigiu-se a ele e com o dedo em riste no nariz, disse: “Usted es el hombre a quiem busco” A principio Carlos não se surpreendeu, mas ao ver o cidadão armado, um sentimento de medo e meio de defesa o incentivou a partir para o revide. Com um pouco de dialogo e considerações, conseguimos contê-lo de sua fúria. O cidadão estava transtornado, furioso e demasiadamente embriagado. Sobre a mesa estava um panfleto impresso em letras garrafais e a três cores, anunciando o espetáculo de tourada que aconteceria naquela tarde em Madri. Aquele dia seria a consagração do famoso toureador Marcelo Pancho, ganhador do famosíssimo prêmio Don Ramon do ano passado. Sua fama já havia extrapolado os limites da Espanha. Esta seria a terceira vez que ele disputaria o prêmio espanhol. A cidade estava em festas. Os bares e confeitarias estavam lotados de apreciadores de touradas. Havia gente de todos os lugares: de Portugal, Itália, França, Alemanha e Bélgica. O cidadão que ofendera Carlos estava fora dos limites. Não tinha noção do que falava e nem domínio de si mesmo. Seu olhar amarelado denunciava a quantidade etílica que havia ingerido. Ao atirar-se contra Carlos, cambaleou e esparramou-se sobre a mesa onde estávamos sentados, quebrando alguns copos e pratos. O garçom agarrou-o imediatamente e o conteve com auxilio de alguns fregueses. A fúria demoníaca do cidadão se transformou num enorme pesadelo para nós, por julgarmos a infusão política separatista, já que o mesmo ostentava uma enorme botoeira na lapela do paletó alusivo à causa basca. Felizmente foi um engano e simplesmente ele havia confundido Carlos com outra pessoa que dias atrás agrediu Marcelo Pancho numa confeitaria em Mahadaonda, por ter dirigido gracejos a sua mulher. Desfeito o mal entendido, continuamos a tomar nosso café, sossegados.

Antes de partirmos para Toledo, andamos um pouco pela Plaza Mayor, como sempre lotada de turistas. Há ao redor da praça vários bares com mesas e cadeiras do lado de fora e sobre as calçadas, assim como várias lojinhas de presentes e lembranças de Madri e outras regiões da Europa. Na Plaza Mayor há de tudo: Lojas, bares, restaurantes, etc.

Ao visitar o estádio Santiago Bernabeu, famosa sede esportiva do Real Madri, logo na entrada, ao subir as escadarias deparamos com as fotos dos jogadores brasileiros Robinho, Ronaldo e o francês Zidane. A foto de Ronaldo é a única que estava pichada. Reproduzia um par de óculos ao redor dos olhos, talvez feitos por algum torcedor fanático, como se pretendesse com isso afirmar que o jogador precisava desse utensílio para enxergar melhor o gol adversário, pois ultimamente sua performance em campo não era das melhores. Por isso tem sido muito criticado. Segundo a imprensa especulativa espanhola o problema de Ronaldo, O Fenômeno, é mulher e balada.

Depois de um exaustivo giro pelas ruas de Madri, seguimos para Toledo, cidade monumento da Espanha, trafegando pela A-42, uma autoestrada bem conservada e de boa pavimentação, com pistas largas e duplas.

A principio, não imaginava a importância daquela cidade situada numa região seca, montanhosa, deserta e de clima quente. Contudo, ao lançarmos o olhar sobre a vista geral da cidade, descobrimos o interesse que tanta gente tem por essa região: Seus castelos e construções medievais. É linda demais! Miguel Saavedra de Cervantes, famoso escritor espanhol morto em 1616, expressou a beleza de Toledo nas seguintes palavras: “Toledo é a glória da Espanha”. Disse tudo! Reconheço e dou fé!. Quem sou eu para descrever Toledo! Porém, vi-a desta maneira. Lá em Toledo é tudo original. Pouca coisa tem o dedo do homem. Lá o homem não destruiu a natureza para fazer obras faraônicas, mas foi por ela brindado e abençoado.

Conto - Ronald Augusto

Painting Silicone Sculpture - http://sculpturemoulds.blogspot.com

Lamúria Acima

A decepção anunciada por todas as rádios ao longo do dia, finalmente começava a taxidermizar os passantes. Árvores tresloucadas e faróis acesos. Não me perguntem sobre o velho. Ele despertou há pouco; a cama está quase intacta, pois ele não se move durante o sono. Boceja rouquenho. As coisas lanhadas até os ossos brancos; foi desbastado, sem dó, o sopitado rancor diário das esquinas e gentes; ficar sob essa lição deve ter sido um inferno. Nenhuma lamúria, palma e mais nada. Cada movimento esboçado sob o cobertor decrépito faz o velho se arrepender de ter acordado. Se pudesse ao menos se encolher. De nada serve a pergunta, mas vá lá: como é que essa dona foi se abandonar assim, esturricada dessa maneira? Não sei, parece que passa o tempo todo cosida aos livros! O quarto, abafado e enublado com vapores amarelos, sustenta ainda mais o silêncio do velho. Tártaro na dentadura tartamuda. Segundo me disse a linguaruda que vive para lá, depois da região portuária, foram esses livros de religião lidos e relidos com desespero que chuparam toda a vida que ela esbanjava, mansa. Numa ruína de símbolos, é assim que a pobre vai acabar. Quando o meio-dia deixou tudo assim de um jeito pasmo e árido, minha argumentação foi ouvida com atenção, figurou como um alívio para o pessoal daquele turno.

Autores

Ademir Demarchi Adriana Pessolato Adília Lopes Afobório Agustín Ubeda Alan Kenny Alberto Bresciani Alberto da Cunha Melo Aldo Votto Alejandra Pizarnik Alessandro Miranda Alexei Bueno Alexis Pomerantzeff Ali Ahmad Said Asbar Almandrade Alyssa Monks Amadeu Ferreira Ana Cristina Cesar Ana Paula Guimarães Andrew Simpson Anthony Thwaite Antonio Brasileiro Antonio Cisneros Antonio Gamoneda Antonio Romane António Nobre Ari Candido Fernandes Ari Cândido Aristides Klafke Arnaldo Xavier Atsuro Riley Aurélio de Oliveira Banksy Bertolt Brecht Bo Mathorne Bob Dylan Bruno Tolentino Calabrone Camila Alencar Carey Clarke Carla Andrade Carlos Barbosa Carlos Bonfá Carlos Drummond de Andrade Carlos Eugênio Junqueira Ayres Carlos Pena Filho Carol Ann Duffy Carolyn Crawford Cassiano Ricardo Cecília Meireles Celso de Alencar Cesar Cruz Charles Bukowski Chico Buarque de Hollanda Chico Buarque de Hollanda and Paulo Pontes Claudia Roquette-Pinto Constantine Cavafy Conteúdos Cornelius Eady Cruz e Souza Cyro de Mattos Cândido Rolim Dantas Mota David Butler Denise Freitas Desmond O’Grady Dimitris Lyacos Dino Valls Dom e Ravel Donald Teskey Donizete Galvão Donna Acheson-Juillet Dorival Fontana Dylan Thomas Décio Pignatari Edgar Allan Poe Edson Bueno de Camargo Eduardo Miranda Eduardo Sarno Eduvier Fuentes Fernández Elaine Garvey Elizabeth Bishop Enio Squeff Ernest Descals Eugénio de Andrade Evgen Bavcar Fernando Pessoa Fernando Portela Ferreira Gullar Firmino Rocha Francisco Niebro George Callaghan George Garrett Gey Espinheira Gherashim Luca Gil Scott-Heron Gilberto Nable Glauco Vilas Boas Gonçalves Dias Grant Wood Gregório de Matos Guilherme de Almeida Hamilton Faria Henri Matisse Henrique Augusto Chaudon Henry Vaughan Hilda Hilst Hughie O'Donoghue Husam Rabahia Ian Iqbal Rashid Ingeborg Bachmann Issa Touma Italo Ramos Itamar Assumpção Iulian Boldea Ivan Donn Carswell Ivan Justen Santana Ivan Titor Ivana Arruda Leite Izacyl Guimarães Ferreira Jacek Yerka Jack Butler Yeats Jackson Pollock Jacob Pinheiro Goldberg Jacques Roumain James Joyce James Merril James Wright Jan Nepomuk Neruda Jason Yarmosky Jeanette Rozsas Jim McDonald Joan Maragall i Gorina Joaquim Cardozo Joe Fenton John Doherty John Steuart Curry John Updike John Yeats Josep Daústin José Carlos de Souza José Geraldo de Barros Martins José Inácio Vieira de Melo José Miranda Filho José Paulo Paes José Ricardo Nunes José Saramago José de Almada-Negreiros João Cabral de Melo Neto João Guimarães Rosa João Werner Junqueira Ayres Kerry Shawn Keys Konstanty Ildefons Galczynski Kurt Weill Leonardo André Elwing Goldberg Lluís Llach I Grande Lou Reed Luis Serguilha Luiz Otávio Oliani Luiz Roberto Guedes Luther Lebtag Léon Laleau Lêdo Ivo Magnhild Opdol Manoel de Barros Marco Rheis Marcos Rey Mari Khnkoyan Maria do Rosário Pedreira Marina Abramović Marina Alexiou Mario Benedetti Mario Quintana Mariângela de Almeida Marly Agostini Franzin Marta Penter Marçal Aquino Masaoka Shiki Maser Matilde Damele Matthias Johannessen Michael Palmer Miguel Torga Mira Schendel Moacir Amâncio Mr. Mead Murilo Carvalho Murilo Mendes Márcio-André Mário Chamie Mário Faustino Mário de Andrade Mário de Sá-Carneiro Nadir Afonso Nuala Ní Chonchuír Nuala Ní Dhomhnaill Nâzım Hikmet Odd Nerdrum Orides Fontela Orlando Gibbons Orlando Teruz Oscar Niemeyer Osip Mandelstam Oswald de Andrade Pablo Neruda Pablo Picasso Patativa do Assaré Paul Funge Paul Henry Paulo Afonso da Silva Pinto Paulo Cancela de Abreu Paulo Henriques Britto Paulo Leminski Pedro Du Bois Pedro Lemebel Pete Doherty Petya Stoykova Dubarova Pink Floyd Plínio de Aguiar Pádraig Mac Piarais Qi Baishi Rafael Mantovani Ragnar Lagerbald Raquel Naveira Raul Bopp Regina Alonso Renato Borgomoni Renato Rezende Renato de Almeida Martins Ricardo Portugal Ricardo Primo Portugal Ronald Augusto Roniwalter Jatobá Rowena Dring Rui Carvalho Homem Rui Lage Ruy Belo Ruy Espinheira Filho Ruzbihan al-Shirazi Régis Bonvicino Salvado Dalí Sandra Ciccone Ginez Santiago de Novais Saúl Dias Scott Scheidly Seamus Heaney Sebastian Guerrini Sebastià Alzamora Shahram Karimi Shorsha Sullivan Sigitas Parulskis Silvio Fiorani Smokey Robinson Sohrab Sepehri Sophia de Mello Breyner Andresen Souzalopes Susana Thénon Susie Hervatin Suzana Cano Sílvio Ferreira Leite Sílvio Fiorani The Yes Men Thom Gunn Tim Burton Tomasz Bagiński Torquato Neto Túlia Lopes Vagner Barbosa Val Byrne Valdomiro Santana Vera Lúcia de Oliveira Vicente Werner y Sanchez Victor Giudice Vieira da Silva Vinícius de Moraes W. B. Yeats W.H. Auden Walt Disney Walter Frederick Osborne William Kentridge Willian Blake Wladimir Augusto Yves Bonnefoy Zdzisław Beksiński Zé Rodrix Álvaro de Campos Éle Semog