Definição

... da totalidade das coisas e dos seres, do total das coisas e dos seres, do que é objeto de todo o discurso, da totalidade das coisas concretas ou abstratas, sem faltar nenhuma, de todos os atributos e qualidades, de todas as pessoas, de todo mundo, do que é importante, do que é essencial, do que realmente conta...
Em associação com Casa Pyndahýba Editora
Ano VI Número 63 - Março 2014

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Editorial

Poppy Field, by Claude Monet
É Julho yes é verão e também yes digo YES para TUDA!

Em celebracimento ao Bloomsday! TUDA joyceana traz uma overcarga de James Joyce - 2 transcriações! Há quem digará que 2ois não ésmucho, mas em se tractpactuando o traduzir de Joyce é um mundo... incompreensível, évero, mas porissomesmo ummondo ondamais mundo! Além da bela versão de Ivan Justen Santana para o poema XXXVI do livro de estreia de Joyce, Chamber Music, este que vos regularmente chega ousou - sim ousou - traduzir 5 e não dois parágrafos de Finnegans Wake, o não-livro de Joyce escrito em não-inglês. Se ficou bom ou nom são algas que não vão muito ao vaso cozer... eu mesmo não o saberia dizer, e não espero muita massa crítica também, mas nal me leveamal - toda argaessamassa crítica será muito bem-cozinda!

TUDA Julho segue com a publicação EXCLUSIVA dos poemas INÉDITOS de Arnaldo Xavier, na série ÔlhÔs de Xadrez. Traz também os sempre esperados pindaíbicos Roniwalter Jatobá, José Geraldo de Barros Martins e este mesmo que vos escreve, vidalgo Eduardo Miranda.

TUDA traz a releitura de Orides Fontela, poeta de São João da Boa Vista de dicção enigmática e ao mesmo tempo precisa; traz também um quadro de Peter Doherty, músico, escritor, ator, poeta e artista britânico; a poesia do baiano Plínio de Aguiar, uma versão de Cabral por este que vos escreve para o inglês, a crônica de Aurélio de Oliveira, além dos habitués, Dorival Fontana, José Miranda Filho, Pedro Du Bois, Ronald Augusto e Santiago de Novais.

É nisto companheiros... na DUTA, desenvagar &s&mpr&, sópór ojesempre, e TUDA de bomais TUDA!

Eduardo Miranda
O (auto-proclamado) Editor

P.S.: por um problema "legal" com a Google/GoDaddy, mudei meu "portal" de eduardomiranda.info para edotm.info. Pode ser com http://, www, http://www ou mesmo sem nada... você chega lá!!!

Dívida Interna

Editor
Eduardo Miranda

Capa
José Geraldo de Barros Martins

Digitação
Eduardo Miranda & Teresa Thinen

Revisão
Dos autores...

Colaboradores
Arnaldo Xavier, Aurélio de Oliveira, Dorival Fontana, Eduardo Miranda, Ivan Justen Santana, João Cabral de Melo Neto, José Geraldo de Barros Martins, José Miranda Filho, Orides Fontela, Pedro Du Bois, Pete Doherty, Plínio de Aguiar, Ronald Augusto, Roniwalter Jatobá, Santiago de Novais.

E-mail
tuda.papel.eletronico@gmail.com

Poesia - Arnaldo Xavier

Marietjie Henning - Gogo And The Ancestors
(...)


letal cortejo inicia sendo Rito morto contínuo
altar passagem movediça sido resíduo lágrima
viboraz galo quadrúpede sendo palafita em brasas

Bênção terrestre espelha sido grão refloresça
facho sereno relâmpago sendo canibalírico almoço
tesoura inversa centelha sido lábio escuridão

pincel irregular flutua sendo retalho descreve cacho
Pés sujos de velha igreja sido badalo vendedor
necessária árvore camufla sombra sendo flor anuncia 

desossada noite dor pagina sido boca descascada
coração atravessa espelho sendo água ilusão
Dentes de rosa pênsil sido ramo de mesma luz

E se flor ruína sendo sombra branca salina morde o céu
Princípio bicho sido crença crua de ovelha traduz
alma de lama sendo altar infinita poça

de chumbo significa sido tarde retorna nua folha
manto de carne florida sendo Sala de abelhas
luar mistério escreve sido fogo casulo agulha aflora 

(...)

[ in ÔlhÔs de Xadrez, inédito ]

Arnaldo França Xavier (Campina Grande, 19/11/1948 - São Paulo, 26/01/2004) foi poeta, escritor e pensador do movimento negro no Brasil. Publicou Boleros Pretos, A Roza da Recvsa, Ludlud e Manual de Sobrevivência do Negro no Brasil (ilustrado pelo chargista Maurício Pestana). Participou ainda de inúmeras coletâneas de bibliografia restrita e pequenas tiragens.

Poesia - Plínio de Aguiar

Cyn McCurry - Oyster.. no Pearl
Anverso

O que preciso se faça
Dizer: se existo permita
Que me matem os rastilhos
Do idioma, da couraça
Acesos no desespero.

O que preciso se faça
Silenciar: bastem células
E imitações de outro próprio
Necessário à vida
De quem oculta a si mesmo.

Plínio de Aguiar viveu no México por quatro anos, quando fez cursos de pós-graduação em antropologia, educação e filosofia. É autor dos livros de poemas Lira rústica (2005) e Buraco na meia (2009), publicados pela Booklink Editora, Rio de Janeiro.

Poesia - Santiago de Novais

Testamento


Ilustração enviada pelo autor


"Conciencia y cobardía son la misma cosa,
solo que conciencia es el nombre comercial."
(Oscar Wilde)

Lembro-me sim, 17h45min, shopping da Lapa,
15 minutos atrasado, calça azul de algodão e botões,
Camisa branca, boné surrado, em
Frente à entrada do Mac.
Você calmo como um piano
Entrou por adentro de mim
Como uma polonaise no fim.
E lá dentro apodreceu como um pombo branco.
E, já que estava dentro da savana calma de meu coração
Agitou minhas próximas manhãs de sol como um heavy metal ruim
E com seu espírito negro e demoníaco
Roeu os músculos do meu coração como um leão faminto
E devorou minha paciência, minha bondade, meu amor,
Como um leão faminto e vingativo que devora os antílopes mais fracos e doentes
E come seus próprios filhotes junto mesmo com a placenta da pobre leoa em trabalho de parto.
Há ao longe uma cria sua que virá com mesmo ódio e um dia de sangue na savana lavará os pés de lavanda com sua carniça. Verei sonolento e sem uma das patas arrancadas por seus caninos seu fim. E, ainda haverá tempo para mim para um dia de sol. Calmo como um piano.

Santiago de Novais, nasceu em Minas, Campos Gerais. É professor de idiomas, tradutor, educador e poeta.

Poesia - Dorival Fontana

Ricky Romain - In memory of Daniel Pearl
Vale Tudo

Macacos de auditório
não comem banana,
dendróbatas de poltrona
descascam seus cérebros,
sorteiam felicidade,
apostam suas vidas,
protagonizam excentricidades
num show de alegorias.
Quem quer dinheiro?
Quem quer emprego?
Quem quer respeito?
Anestesiar suas angústias?
Sintonizar expectativa?
Extrair da loteria
diversão, distração e ilusão
para toda família?

Porque hoje é dia...
dia de alegria,
confete e serpentina,
supositórios múltiplos,
para a cabeça do povo
faminto.

Dorival Fontana é paulista, poeta e escritor. Atualmente vive em Caconde, Minas Gerais.

Poesia - Pedro Du Bois

Atores


Deve aos papéis o início.
Rasga as folhas em uníssono.
Desprepara-se para o assunto.

Como seu pai lê os jornais
do dia antes do almoço.

É começo do repasto,
não o gosto, nome repetido
em versos: crime
reconduzido ao álibi.

Enoja folhas em branco.
Suja-as com palavras.
Em vão se escondem. O vento
é seu aliado. Na cumplicidade
atores desempregados.

(Pedro Du Bois, inédito)

http://pedrodubois.blogspot.com
http://www.diga33.med.br/?menu=textos_list&submenu=28&id=118
http://valeemversos.blogspot.com/
http://revistacerradocultural.blogspot.com/
http://vidraguas.com.br/wordpress/
http://www.projetopassofundo.com.br/principal.php?modulo=16&acao=listar&chaveSubSubCodigo=38
http://www.meiotom.art.br/dupXXquem.htm

Crônica - Roniwalter Jatobá

by Tim Burton

Almas indomadas

Os fantasmas estão cada vez mais ousados. Vaivém eles aparecem em notícias pelo mundo afora.

São Paulo também tem suas almas penadas. Em geral, surgem em prédios antigos, pois ninguém nunca soube que procurem abrigo em construções modernas, com cheiro de novas e sem história de vida e de morte.

A Câmara Municipal, no viaduto Jacareí, já foi palco de freqüentes aparições. Em seus corredores, funcionários da Casa já cruzaram com fantasmas. Numa manhã de maio de 1991, a chefe da faxina chegou à biblioteca, que estava trancada. Pela divisória de vidro avistou uma senhora sentada e lendo, tranqüilamente, um jornal. Logo, chamou um segurança. Ao abrirem a porta, a leitora desapareceu como num passe de mágica.

Já em março de 1996, um encanador foi chamado para consertar um vazamento no oitavo andar. Era quase dez horas da noite. De repente, surgiu uma mulher vestida de noiva, que caminhou em sua direção. O funcionário não esperou o gélido beijo nupcial.

Há outros retiros para as assombrações paulistanas. O Teatro Municipal, inaugurado há um século, em 1911, é um deles. Em suas galerias subterrâneas acumulavam-se velhos cenários – e fantasmas de óperas passadas. Outro é a antiga sede da Light, construída em 1929, na Xavier de Toledo. Um falecido chefe da empresa canadense já foi visto altas horas da noite rondando nos andares do prédio. Depois que virou Shopping Light, pode ser que os fantasmas tenham procurado outro abrigo.

Nunca vi almas de outro mundo. Sei que na São Paulo dos anos 20 eles marcavam presença até mesmo em logradouros públicos. Certa vez, já tarde da noite, o condutor e o cobrador de um bonde da Light faziam sozinhos a última viagem de volta do bairro da Casa Verde. De súbito, à luz do farol, avistaram um vulto atravessado na linha. Rapidamente, pararam para prestar socorro. Ao descerem, a surpresa: não havia ninguém ali.

Apavorados, pediram a proteção de são Benedito e, à toda, apressaram o bonde rumo ao centro. Depois desse dia, em toda última viagem, eles não cobravam mais a passagem de negros – uma promessa feita ao santo de devoção – exceto, é claro, quando o fiscal da Light estivesse por perto.

Roniwalter Jatobá, jornalista, e escritor, publicou, entre outros, os livros Sabor de química (1977), Crônicas da vida operária (1978), Filhos do medo (1980), Viagem à montanha azul (1982), Trabalhadores do Brasil: histórias do povo brasileiro (1998, organizador), O pavão misterioso e outras memórias (1999), Paragens (2004), Rios sedentos (2006, voltado para o público infanto-juvenil), Viagem ao outro lado do mundo (2009) e Contos Antológicos (2009). Para a coleção “Jovens sem fronteiras”, publicou O jovem Che Guevara (2004), O jovem JK (2005), O jovem Fidel Castro (2008) e O jovem Luiz Gonzaga (2009).

Conto - José Geraldo de Barros Martins

Ilustração do autor
Bar Léo

I – A Volta Dele


Bar Léo: esquina da rua Aurora com a rua dos Andradas... foi lá que ele a conhecera... agora, vinte e dois anos depois ele retornara àquele bar... durante este período, após a separação ele vivera em outras cidades: primeiro em El Bolsón (sua janela dava vista para o Cerro Piltriquitrón) na patagônia argentina, depois em Howth (sua janela dava vista para a Baía de Dublin) na Irlanda, depois em Tete, Moçambique (sua janela dava vista para a o rio Zambesi) e em Penha de França, perto de Goa, na região da Índia em que se fala o português (sua janela dava vista para o rio Mandovi)... agora ele estava junto ao mesmo balcão... voltara a morar na paulicéia após tanto tempo... para ele a capital paulistana estava mudada... percebera uma porção de lojas populares na Av. Paulista, sinal de que os grandes hotéis & os grandes escritórios estavam migrando para a região de Av. Luis Carlos Berrini, como profetizara seu professor de planejamento urbano, na época da faculdade: “o centro financeiro de São Paulo historicamente se desloca na direção Oeste”... Era o início da profecia pensava: - “daqui a pouco as lojas populares irão se infiltrar nos Jardins... quando inaugurar a loja Marisa na rua Oscar Freire e quando aquele loja dos alfarrojes Havanna da rua Lorena se transformar em mais uma filial do Habib`s, será o sinal definitivo da decadência daquele bairro, processo bastante natural, afinal os Campos Elísios, a versão paulistana do Champs-Élysées não se transformaram na Cracolândia?” E por falar em Cracolândia, agora estava nos arredores dela, mas era de dia e não tinha problema, aquela zona só era perigosa à noite, aliás sempre fora um lugar mal frequentado.., desde a primeira vez em que ele foi ao Bar Léo... sabia que lá fechava cedo, pois “depois que o sol se põe... a coisa pesa naquela região... Mas era de dia, um dia ensolarado por sinal...

Pediu um chopp.... quando tomou o primeiro gole veio a certeza: aquele era o melhor chopp do mundo... seu sabor, seu aroma, sua cor, sua cremosidade era inigualáveis... mas junto com a lembrança do sabor veio a lembrança daquela época: a decadência do Bexiga como pólo de vida noturna e a ascenção de Vila Madalena, o vídeo como forma de registro da realidade, seus vídeos experimentais, os discos de vinil, os lado B dos discos de vinil, a expressão “Lado B” era curiosa: “o lado B de fulano”, imagine falar em Lado B para um adolescente de hoje que só ouve MP3... lembrou que naquela época sempre tinham filmes do John Huston na TV, passavam na sessão coruja... agora quase ninguém se lembra do John Huston... notou também uma mudança na paisagem urbana, a começar pela cor dos automóveis: tudo prateado... naquela época não, os carros eram coloridos... isto até poderia ser motivo de uma tese: o automóvel como elemento da paisagem urbana: a mudança na cor dos carros (ditada pelas famosas pesquisas de mercado) alterando a paisagem da metrópole... depois lembrou dela, lembrou que ligava para ela do orelhão...depois lembrou das orelhas dela, bem como das demais partes do corpo dela... lembrou de quando a encontrara naquele mesmo bar, estava chovendo e ele para puxar conversa falou que achava que São Paulo era mais bonita quando chove, pois a chuva lava toda a imundíce da cidade... ela achou graça... e aí começou o namoro....

Amarílio Amélio Olivério (este é o nome de nosso protagonista) pediu o segundo chopp e continuou a recordar aquela época : foi através dela que ele descobrira as cantoras do passado, Dolores Duran, Maysa, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Isaurinha Garcia... (as duas últimas paulistaníssimas, perceba-se pelo sotaque)... se quanto a música ela o influenciara, quanto a literatura ocorrera o inverso: através dele, ela teve contato com a obra de Charles Baudelaire, Torquato Neto, Paulo Leminski na poesia, Mellvile, Machado de Assis e James Joyce no romance, Vilém Flusser e Arthur Schopenhauer na filosofia... este último, por sinal, tem uma teoria muito curiosa: a de que sempre escolhemos os nossos destinos, de modo que os encontros fortuitos são conversas com local data e horário previamente combinados... de todos os livros que ele à ela emprestara, os que mais a encantaram foram “O Mundo Como Vontade e Representação” e “Parerga e Paralipomena” de Schopenhauer, tanto que ela nunca devolvera o livro a ele... e eis que justamente quando ele terminou o segundo chope se recordou de que tinha emprestado aqueles livros a ela... lá fora começara a chover... uma chuva torrencial...

II – O Vulto Dela

Antes de conseguir que o garçon o avistasse para pedir o terceiro chope, Amarílio observa ela entrar no bar carregando dois livros (sim era ela, sim eram os livros) e ir até onde ele estava:

- Amarílio Amélio Olivério??? Nossa você não mudou nada!!!

- Você é que não mudou nada, Marília Amélia Mourélia...

- Como você soube que eu estava aqui?

- Mas eu não sabia que você estava aqui, disseram que você estava morando fora do Brasil ha um tempão... eu só estava passando por perto e resolvi tomar um chope...

- Mas então porque é que você trouxe os meus livros...

- Nossa que coincidência...

- E que coincidência maior é o fato dos livros serem justamente deste filósofo alemão que não acredita nas coincidências...

- Mas posso ficar com os livros emprestados só um pouquinho mais... é que justamente agora resolvi relê-los ...

- Fique com eles não precisa devolver...

- Mas você adorava seus livros... quando perdia um ficava horas procurando pela casa obsessivamente...

- É que eu estou achando que nossas bibliotecas logo serão a mesma...

- Um brinde!!!

José Geraldo De Barros Martins é de São Paulo. Músico, pintor e escritor, desde 2001 publica seus desenhos e escritos no blog http://zegeraldo.free.fr.

Conto - José Miranda Filho

Sertão, by Cláudio Rodrigues

O Retrato do Sertao 17

Juvenal não conseguia disfarçar a alegria que trazia estampada no rosto envelhecido por estar vivendo sozinho naquele pedaço de chão seco, longe das fofocas e da gozação dos amigos. De tanto sua mulher falar mal da vida alheia, de Tonho e de outras pessoas ele é que ficou carimbado de cornudo. Muita gente conhecia o passado indecoroso de sua mulher, suas relações íntimas com pessoas importantes, mas tinha receio de comentar por envolver figuras influentes da sociedade.

Depois da morte de Sá Lorena, ele vivia amaldiçoando todos àqueles que tiveram desavenças com ela. Ninguém conseguia entender entretanto, o ódio que ele sentia de Geraldina e Tonho. Persuadiram-no, mediante ameaças, e até com dinheiro para afirmar que eles tinham sido os causadores da morte de Sá Lorena.

Juvenal afirmou no depoimento que prestou na delegacia que tinha ouvido nitidamente Tonho dizer no momento em que disparou a arma.

- Isto é para você nunca mais falar da vida alheia, maldita!

A investigação do assassinato seguia em ritmo lento. O Delegado, não obstante os depoimentos de Maninha, Agamenon, Marilda, seu Quincas, e mais algumas testemunhas pouco contribuíram para a elucidação do crime. Sentia-se inoperante para esclarecê-lo. 

Primeiro, não tinha provas suficientes que o induzisse apontar alguém como suspeito. Segundo, não dispunha de funcionários experientes e preparados para ajudá-lo na elucidação do caso. Suspeitava, segundo sua experiência policial obtida na Academia de Polícia de Alagoas de uma pessoa, mas não divulgava o nome para não atrapalhar as investigações. Seu Quincas e Tonho, conforme manchete na primeira página do jornal semanal “ Notícias da Terra”, edição de 22 de outubro de 1938, faziam parte da lista de suspeitos. Notícias que corriam à boca-pequena, também indicavam padre Fausto e o próprio Juvenal, como autores. Mas o Delegado sempre desmentia esses boatos. 

Tanto Juvenal, quanto seu Quincas já haviam prestados depoimentos, mas continuavam atormentando a cabeça do delegado! Juvenal, por ter presenciado o crime, e seu Quincas por oferecer ajuda, antecipando-se às investigações. O Delegado desconfiava dessas benesses de momento. Queria ouvir mais algumas pessoas que estiveram com Sá Lorena em Laranjeiras no dia da morte de Lampião.

Quando saíram da cidade enxotados por padre Fausto, Juvenal disse para Sá Lorena que Tonho havia prometido vingar-se dela, por causa das fofocas que ela andou espalhando pela cidade afirmando que Tonho era corno. Por todos os lugares por onde passava as pessoas o olhavam desconfiadas e faziam o sinal de chifrudo. Tonho não suportava essas insânias.

Ao passarem pela encruzilhada que leva a Poços dos Anjos, Juvenal disse que estavam sendo seguidos. Não podia ver claramente quem era por causa da escuridão, mas tudo indicava ser Tonho, pelo rechiar da carruagem, do chapéu e a capa preta que usava. Tinha quase certeza disso.

- Mas Tonho não tem carroça Juvenal, e nunca usou capa preta? Como pode ser êle? Indagou Sá Lorena, temerosa!

Sá Lorena, que já havia sofrido ameaças de morte dele, de seu Quincas e de Lampião, ficou preocupada e com medo. Pediu para Juvenal lhe acompanhar enquanto fazia “xixi”. Ao aproximar-se do pé de juazeiro pode observar uma carroça puxada por um cavalo baio, e um homem vestido de preto.

Juvenal, tem alguém apontando uma arma para mim! Gritou apavorada!

Neste instante, ouviram-se três tiros de fuzil disparados à queima-roupa, enquanto Juvenal se acoitava do outro lado da estrada entre arbustos ressequidos de aroreira.
O estampido da arma ecoou no silêncio da noite escura. Sá Lorena caiu sobre uma poça de mijo, sangrando e se contorcendo de dores. Pediu para Juvenal ajudá-la levantar-se e levá-la de volta a Laranjeiras para a clinica do doutor Brandão. Juvenal ignorou o apelo da mulher e seguiu diretamente para o sitio.

Ao descerem da carroça Sá Lorena já estava morta.

Algumas horas depois, padre Fausto já estava à beira da porteira do sítio nervoso, procurando por Juvenal. A pequena casa de taipa coberta com folhas de pindoba não comportava tantos curiosos que queriam saber detalhes da morte e rezar pela sua alma. Quase todos os vizinhos estavam presentes para prestar solidariedade a Juvenal que fingia chorar, sentado num banco de madeira ao lado da rede com o corpo da mulher.

- O que aconteceu Juvenal? Gritou padre Fausto, mostrando-se desolado e querendo que todos o ouvissem.

- Mataram Sá Lorena, padre!

- Não se desespere homem! A polícia já está à procura do assassino.

- Vim lhe trazer minhas condolências e oferecer-lhe dois contos de reis como havia lhe prometido dias atrás para ajudá-lo cobrir os prejuízos que teve quando o bando de Lampião mandou queimar sua plantação, porém vejo que sua necessidade é ainda maior. Acabei de saber desse infortúnio quando me dirigia para cá. Com esse dinheiro você compra algumas coisas de que precisa, e se faltar eu complemento, conforme combinamos.

Padre Fausto permaneceu no local por cerca de dez minutos, tempo suficiente para benzer o corpo da falecida e consagrar sua alma através de orações repetidas pelos fiéis presentes. Pediu que todos perdoassem a falecida pelos boatos que ela espalhara pela cidade sobre certas pessoas, notadamente sobre seu Quincas, Tonho e Lampião que lhe juraram de morte.

- Até de mim mesmo ela lançou suas injúrias aos fiéis da Igreja! Dizia padre Fausto às pessoas presentes, preocupado!

Maninha, Geraldina e Tonho, não compareceram ao velório. Dona Elvira, apesar dos “arranca-rabos” que tivera com ela no passado veio para dar apoio moral a Juvenal, que outrora era um dos maiores frequentadores do Sarau. Todas as mulheres que ali estavam olhavam-na de rabo virado. Mas ela, mulher linda, vivida e acostumada às vicissitudes da vida ignorava, e fingia não notar que falavam dela. Não ligava! E a todos que cumprimentava soltava um sorriso alegre e descontraído que sempre trazia no rosto jovem, sem rugas, apesar dos cinquentas anos completados. 

Constrangido e desconfiado da recepção, padre Fausto retornou à Igreja, em Laranjeiras, onde passou a tarde inteira enclausurado na casa paroquial, cismado de que alguma coisa estava por acontecer.

O Delegado já tinha ido ao local do crime à procura de provas que pudessem fornecer-lhe alguma pista. Ouviu na fase inicial como era de costume, todos àqueles que tiveram desentendimentos com Sá Lorena. Juvenal por ser testemunha ocular do assassinato, sería inquirido por último, mas o Delegado antecipou-se e quis ouví-lo antes de qualquer testemunha. Caso o andamento das investigações não o levasse a descobrir o autor do crime, indiciaria Juvenal como o verdadeiro assassino.

Àqueles tempos era difícil indiciar alguém por assassinato ou outro crime qualquer, principalmente se o autor fosse figura de destaque na sociedade, rico e poderoso. O Delegado já antevia essas preocupações que o caso lhe poderia trazer.

Dúvida de quem matou Sá Lorena, Juvenal nunca a teve.

José Miranda Filho, ex-Presidente e fundador do PMDB em São Caetano do Sul, Venerável Mestre da Loja Maçônica G. Mazzini (grau 33), é advogado e contador, colabora com o jornal ABC Reporter e atua como Diretor Financeiro do Conselho Gestor do Hospital Benificente São Caetano. Posta no Blog do Miranda.

Crônica - Aurélio de Oliveira

Deixem Meu Coração Em Paz
Heart in Transition, Watercolor + Oil, February 2008
Em tempos de Internet, e-mails, Messenger, Orkut, Facebook… tem uma coisa que realmente me incomoda! Não estou falando desses Power Points repletos de mensagens de amor, amizade, frases célebres, reflexões e orações que, se eu fizer, alguma coisa boa vai me acontecer às 11h45... e que eu tenho de repassar para 15 pessoas em 15 minutos senão... tô ferrado!

Também não estou falando daqueles vídeos curtos que mostram bebês gargalhando quando rasgam um papel; ou do cara que não tem os braços e toca violão; ou do gordinho que vendia celulares e virou cantor de ópera; ou do moleque que morreu porque tomou coca light e chupou uma bala Mentos... não!

Estou falando daquele bendito... “um beijo no seu coração!” Alguém aí faz idéia do que significa isso? Está bem, está bem... trata-se de um gesto de carinho, afeição, amizade, amor por parte daquele que está desejando um beijo no coração de alguém. Não duvido! Mas tem de ser no coração? Aliás, entre os meus, sempre há quem me deseje um beijo no meu coração. Quero que saibam que todo esse amor e carinho é recíproco... mas sem beijo no coração, por favor! Reconheço também que o coração, a despeito de ser esse músculo pulsante de duas aurículas e dois ventrículos que recebe e bombeia sangue, é considerado também a sede do sentimentalismo humano, das emoções e blá blá blá... tudo bem! Mas daí querer beijar o dito cujo é demais!

Mais coerente seria desejar “um beijo no seu cérebro” que é de onde realmente partem nossas emoções. Olha... sempre que me desejam um beijo no coração, claro, agradeço coisa e tal. Mas no momento não consigo imaginar outra cena senão a de alguém segurando o bichão na mão, ainda batendo cheio de sangue, e smack... lascando um beijo! Pra mim, beijo no coração é coisa de cirurgião cardiologista tarado!

Para mim não existe coisa mais amorosa do que um beijo... seja ele na boca, no rosto, nas mãos, na nuca, na sola dos pés... não é lindo? Tive um amigo que tinha enorme prazer em beijar uma verruga que a mulher dele tinha no queixo. Entre a verruga e o coração sou mais a verruga! Aliás, na minha opinião, o corpo humano nasceu pra ser beijado... mesmo nos lugares mais excêntricos! Mas sempre do lado de fora, por favor! Do lado de dentro a coisa fica nojenta demais, sô! Com exceção da língua, que é o único órgão que está por dentro e que merece ser beijado.

Ainda bem que a moda não pegou e esses beijos asqueirosos ficaram só no coração. Já pensou, em se tratando de alguém bom de garfo e chegado numa comilança, como não ficaria a saudação?
-- Aí Bolão... boa sorte pra você e um beijo na sua boca!
-- Qualé, meu... tá me estranhando?
-- Boca do estômago, quis dizer...
-- ah! Tá... brigado, véio... pra você também!

Agora... se o infeliz que receber a saudação for chegado numa manguaça, fico só imaginando...
-- Obrigado, senhor presidente... agradeço muito! Tudo de bom para o senhor também e... um beijo no seu fígado!

Não quero nem comentar como seria a saudação de um ginecologista ou de um urologista para os pacientes. Quer mandar um beijo num lugar diferente? Aprenda com a galera do Orkut... que inventou um negócio superlegal chamado Beijunda... um beijo na bunda! Incrível! Acho que não há demonstração mais enfática de carinho, amor e, porque não dizer, de exóticos desejos... do que mandar um beijo na bunda de alguém! Se eu tivesse a chance de mandar um beijo pra Juliana Paes vocês acham que iria perder tempo em mandar um beijo no coração dela? Ainda mais com aquela bunda maravilhosa que ela tem... pois sim!

Portanto, a todos que desejam me mandar beijos, deixo à inteira disposição todas as partes desse corpo maravilhoso que eu tenho; da careca ao meu calcanhar. Mas no coração, não! Deixem-no em paz porque já chega ele ter de ficar batendo sem parar que, confesso, sempre bate mais forte quando eu penso em todos aqueles que me amam! A todos... beijundas...

Aurélio de Oliveira, jornalista, publicitário, escritor, roteirista de vídeos empresariais. Estreou na literatura infanto-juvenil em 1995 com Aventuras do Gatinho Nicolau, uma série de 4 livros. Ainda nesse ano publicou O Segredo de Tonhão, todos pela Editora Moderna. Recontou, em poesia, dois clássicos: A História de Rapunzel e O Lobo e os Sete Cabritinhos, também pela Moderna. Pela FTD, publicou A Turma dos Números e pela Abril Jovem A Fortaleza dos Skunks.

Tradução - Eduardo Miranda

Love letters to James Joyce, by Robert Motherwell

Finnegans Wake (Finnicius Revém na tradução dos irmãos Campos e Donaldo Schüler) - ou Fuméca Desperta na minha tradução, cujo Fuméca eu descaradamente "emprestei" de Souzalopes, é o último romance de James Joyce, publicado em 1939, e considerado um dos grandes marcos da literatura experimental por ser escrito em uma linguagem composta pela fusão de palavras em línguas diversas, buscando assim uma multiplicidade de significados. Tal "técnica" faz da tradução para qualquer outra língua uma tarefa complicadíssima, e toda tentativa se torna um ato de ousadia desde a primeira palavra do romance, a famosa riverrun. Embora Joyce pudesse estar simplesmente caçoando do universo ao seu redor, muita gente o levou a sério, uns além do sério, tão além que acabaram por viajar muito mais do que o próprio Joyce, e Finnegans já é uma viagem em si só! Minha tradução, como a de qualquer aventureiro, se baseia nos inúmeros estudos interpretativos da obra. E para facilitar ainda mais a empreitada, as interpretações são inúmeras, e geralmente discordantes entre si. Eis assim meu Fuméca Desperta - enjoy-lo!!!
Fuméca Desperta
transcriação dos 5 primeiros parágrafos de Finnegans Wake de James Joyce

     correnterrio, passigreja d’Eva&Adão, desde o corredor da costa até a barriga da baía, uma cômòdus vicus estradinha de extremavoltas nos conduz de volta ao Hacanga(1) Castelo e Entornos.

     Senhor Tristrão, violador d’amores, d’outro lado do marzinho, notenía ainda rechegado do Norte Bretão a este magérrimo istmo de Europa Menor para recombater sua penisolada guerra: nem tinham os colhões de serradormor se amontoado nos gentis córregos dos Gambás do Condado de Laurêncio enquanto iam dublincando seus mendigos todo o tempo: ne’umavoz d’umfogo ao longemugiu a-îe a-îe(2) a bibatizar éstupetrício: ainda não, embora becerdo mais tarde, tivesse um firralho guimbacabado esse isaac velho e baço: ainda não, embora tudo’s certo nas vaneissidades, estavam ermãs gêmelas indignadas com umdois natanaelejosé. Rem uma bicadinha do malte de pai tiveram Jão nem Shão destilado n’arcoluz e pyrangofim(3) do írisarcoíris seria visto anelredores na caranágua.

     A queda (armistrondosestrugidorebôoretumbotôotoruamtorvõestro-mtrootoruõõestrovãoturbenturbilhãoturbónisatrôo!) de outrora númuro velhalmãozinho é precocemente reimplicado na cama e mais tarde na vida afora por todos os menestréis cristãos. A grande queda do foramuro impôs derepentemente o sploctombo de Fuméca, cabra sólido, irlandês da gema, que o cabeçadovo delo mesmo pruntamente envia uma coriosa pregunta d’oeste pr’este sobre seus dedõesdedados: e seu dedãofurabolomaiordetodoseuvizinhomindinho está me nocaute no parque onde ulvas são abandonadas para apodrecerem no verde desde que odemoamou olívia pelaprimeira vez.

     O que choca aqui de vontades cõtrárias, ostradeus sufocando peixedeus! Vréquec Quéquec Quéquec Quéquec! Cóacs Cóacs Cóacs! Ualu Ualu Ualu! Quiuaouau! Onde partidários dos Baudelários são ainda inabaláveis mestremático Malaca Enxaqueco e os Verdungos catapultiam os camibalísticos fora do Brancosomenino de Capuzanco n’Acangabeça. Assédiê e bumerangstrondos. Sodomo de prole, seja meu abá(4)! Sangloriano, ave! Armas appelam com larmas, appavorante. Tupãnarocayoca(5): um pedágio, um pedágio. Que afagadeiro casual, que afortalezamento arejado e ventilado! Que lancedeamores-me pecaduzido por qual egosolvedor! Que verdadeiro sentimento deste seu fenobelo com o fortevox de falso voluço! Oh cá cá como tens escaurrapachado encontrado o crepúsculor o pai dos fornicacionistas mas, (Oh minhas estrelas brilhantes e corpo!) como tem fanomedido o mais alto paraíso o céusinal de anncios levianos! Mas era issu? Iseuta? Erámos éramos mesmos? Os carvalhos de belhos agora jazem em turfa ainda elmos saltam onde cinsas assentam. Se você, entretanto, kair, levantar-se deverá: e ninguém tampouco tãocedo deverá propresentear a farça d’uma absolmilhação da fênix secular.

     Maistrelado Fuméca, da Mão Balbuciante, d’homens indepedreiros, viveu da maneira mais ampla que se possa imarginalizar, em seu candelabro muiremoto para mensaugens antes que juízes josués nos dessem números ou Helviticus cometesse deuteronômios (um lêvedodia ele seiveramente golpiou sua cabeza numa banheira para lavrar o futuro de suas fés, mas antes que ele rapinamente empilhasse-a novamente, pelo poder de moisés, a mesma água estava evoporada e todos os jênesis tinham encontrado o seu êxodos para mostrar que tipo de camarada pentxanjeucs ele era!) e durante anos de estranhos poderes este homem de Hargamassa, Cimento e Edificação na Vila da Cachaça empilhando construcando supra construcando sobre os bancos para os vivedores como Fulano. Ele desordenha a pequenha esposa Rosa enfeiada pequena cracatura. Definhar fenobelos de mãogas arregaçadas sua parte herdada. Enquamiúde balbíbulo, mitre a uma cabeça, em posse de considerável esparavel e marfilameado macacão que ele habitacularmente sementeiama, como Hárune Childerico Egberto ele teria caligulado por multiplicáveis a altitude e a malitude até ele verviu (gancorrar) por puraluz do líquido ondegêmeos g’nasceram, sua ornada redondabeça de outros dias levanter em albenarias desnudas alçaído (prazeremtêlo), um valelã de um avranha-céu dencherolhos cúlmen entorremente, eriginando quase nada e celescalando os ciais e mais, hierarquitesoberbaçal, com a sarça ardente espantar sua tranqueiramor e com o banzé dos ferramentadores embarulhando para cima e uns’baldes emcoalhando pra baixo.


(1) Do tupi acanga, cabeça. Howth, nas antigas línguas do norte, significa cabeça. Sempre que possível, referências ao irlandês e às línguas anciãs do norte da Europa são traduzidas com referências ao tronco tupi (tupi-guarani, tupi antigo, língua brasílica, etc), numa alusão à(s) lingual(s) falada(s) pelos nativos, pré-invasão européia. (Nota do Tradutor)
(2) Do tupi ixé; xe; îe; nhe, eu. A-îe traduz-se em algo como sou-me, eu-me, com o sentido de “eu mesmo”. Original mishe, corruptela de mise, irlandês para “eu mesmo”. (NT)
(3) Pyrang, "vermelho" em tupi antigo, numa alusão a rory, supostamente “lustrada” por Joyce de dearg, vermelho em irlandês. (NT)
(4) Do tupi, abá, homem. No horiginal, a palavra fear pode ser proveniente do irlandês, significando homem. (NT)
(5) Kill, corruptela de Cill, monastério, igreja, em irlandês; daí Tupanaroca, casa de deus, em tupi-guarani; Tupãoka, igreja em tupi antigo


Finnegans Wake
by James Joyce

riverrun, past Eve and Adam’s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs.

Sir Tristram, violer d’amores, fr’over the short sea, had passencore rearrived from North Armorica on this side the scraggy isthmus of Europe Minor to wielderfight his penisolate war: nor had topsawyer’s rocks by the stream Oconee exaggerated themselse to Laurens County’s gorgios while they went doublin their mumper all the time: nor avoice from afire bellowsed mishe mishe to tauftauf thuartpeatrick not yet, though venissoon after, had a kidscad buttended a bland old isaac: not yet, though all’s fair in vanessy, were sosie sesthers wroth with twone nathandjoe. Rot a peck of pa’s malt had Jhem or Shen brewed by arclight and rory end to the regginbrow was to be seen ringsome on the aquaface.

The fall (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk!) of a once wallstrait oldparr is retaled early in bed and later on life down through all christian minstrelsy. The great fall of the offwall entailed at such short notice the pftjschute of Finnegan, erse solid man, that the humptyhillhead of humself prumptly sends an unquiring one well to the west in quest of his tumptytumtoes: and their upturnpikepointandplace is at the knock out in the park where oranges have been laid to rust upon the green since devlinsfirst loved livvy.

What clashes here of wills gen wonts, oystrygods gaggin fishygods! Brékkek Kékkek Kékkek Kékkek! Kóax Kóax Kóax! Ualu Ualu Ualu! Quaouauh! Where the Baddelaries partisans are still out to mathmaster Malachus Micgranes and the Verdons catapelting the camibalistics out of the Whoyteboyce of Hoodie Head. Assiegates and boomeringstroms. Sod’s brood, be me fear! Sanglorians, save! Arms apeal with larms, appalling. Killykillkilly: a toll, a toll. What chance cuddleys, what cashels aired and ventilated! What bidimetoloves sinduced by what tegotetabsolvers! What true feeling for their’s hayair with what strawng voice of false jiccup! O here here how hoth sprowled met the duskt the father of fornicationists but, (O my shining stars and body!) how hath fanespanned most high heaven the skysign of soft advertisement! But was iz? Iseut? Ere were sewers? The oaks of ald now they lie in peat yet elms leap where askes lay. Phall if you but will, rise you must: and none so soon either shall the pharce for the nunce come to a setdown secular phoenish.

Bygmester Finnegan, of the Stuttering Hand, freemen’s maurer, lived in the broadest way immarginable in his rushlit toofarback for messuages before joshuan judges had given us numbers or Helviticus committed deuteronomy (one yeastyday he sternely struxk his tete in a tub for to watsch the future of his fates but ere he swiftly stook it out again, by the might of moses, the very water was eviparated and all the guenneses had met their exodus so that ought to show you what a pentschanjeuchy chap he was!) and during mighty odd years this man of hod, cement and edifices in Toper’s Thorp piled buildung supra buildung pon the banks for the livers by the Soangso. He addle liddle phifie Annie ugged the little craythur. Wither hayre in honds tuck up your part inher. Oftwhile balbulous, mithre ahead, with goodly trowel in grasp and ivoroiled overalls which he habitacularly fondseed, like Haroun Childeric Eggeberth he would caligulate by multiplicables the alltitude and malltitude until he seesaw by neatlight of the liquor wheretwin ’twas born, his roundhead staple of other days to rise in undress maisonry upstanded (joygrantit!), a waalworth of a skyerscape of most eyeful hoyth entowerly, erigenating from next to nothing and celescalating the himals and all, hierarchitectitiptitoploftical, with a burning bush abob off its baubletop and with larrons o’toolers clittering up and tombles a’buckets clottering down.


Eduardo Miranda é músico, escritor, poeta, e tradutor. Guitarrista e fundador do grupo WEJAH, atualmente lidera o projeto musical The Virtual Em3, é integrante da banda Wellfish e colabora no Stillwater Project. Publicou Quase (Casa Pyndahýba, poesia, 1998) e as coletâneas Amigos (Casa Pyndahýba, 1994) e Contra Lamúria (Casa Pyndahýba, 1995). Editor de TUDA, também dá expediente em alguns blogs, e nas horas vagas é Consultor de Tecnologia da Informação em Dublin, República da Irlanda.

Eduardo Miranda is musician, writer, poet, and translator. As musician he was WEJAH's lead guitar and co-founder. Nowadays he develops The Virtual Em3 project, leads the guitar in the Wellfish and contributes to the Stillwater Project. As poet and writer, he has published Quase (Casa Pyndahýba, 1998) and the collections Amigos (Casa Pyndahýba, 1994) and Contra Lamúria (Casa Pyndahýba, 1995). Editor of the e-zine TUDA, he also writes in some blogs and works as ICT Consultant in Dublin.

Tradução - Ivan Justen Santana

Francis Bacon - Portrait of George Dyer Talking, 1966

I Hear an Army... (será um exército de leitores de James Joyce?)
[poema XXXVI de Chamber Music (1907), livro de estreia de James Joyce]

     Eu ouço uma tropa atacando por sobre a terra,
E o tropel de cavalos precipitando-se, espuma aos joelhos:
     Arrogantes, em couraça negra, atrás se encerram,
Desdenhando as rédeas, chicotes ao vento, os cocheiros.

     Eles gritam noite adentro seu bordão de batalha:
Eu gemo em sono quando ouço ao longe o gargalhar que roda.
     Eles rompem a bruma dos sonhos, flama que aparvalha,
Retinindo, retinindo no peito qual numa bigorna.

     Eles vêm tremulando em triunfo seu verde, longo cabelo:
Emergem do mar e correm berrando, trazendo desastre.
     Meu coração, falta-te prudência para o desespero?
Meu amor, meu amor, meu amor, por que me abandonaste?

     I hear an army charging upon the land,
And the thunder of horses plunging, foam about their knees:
     Arrogant, in black armour, behind them stand,
Disdaining the reins, with fluttering whips, the charioteers.

     They cry unto the night their battle-name:
I moan in sleep when I hear afar their whirling laughter.
     They cleave the gloom of dreams, a blinding flame,
Clanging, clanging upon the heart as upon an anvil.

     They come shaking in triumph their long, green hair:
They come out of the sea and run shouting by the shore.
     My heart, have you no wisdom thus to despair?
My love, my love, my love, why have you left me alone?

Ivan Justen Santana, poeta e tradutor, nasceu em Curitiba, em 22/03/1973. Premiado no III Concurso de Poesia Helena Kolody, em 1991. Licenciou-se em Língua e Literatura Inglesa e Norte-Americana pela UFPR, em 1996. Mestre em Letras pela USP, em 2002, com dissertação sobre as traduções de Paulo Leminski. Bloga desde 2004 no atualmente denominado Um sim em si. Iniciou o doutorado em Estudos Literários pela UFPR em 2011. Participante frequente do programa Radiocaos com poemas e traduções, tendo vários registros em vídeo no youtube.

Foreign Word - João Cabral de Melo Neto

Nellie Visser - Dry River Bed

From the Stake's lagoon to Apolinário
translated by Eduardo Miranda

Always thought about going
the sea way.
For animals and rivers
to be born is already walking.
I don't know what rivers
carry from the man of the sea;
I know they crave the same
and feel the demanding call.
I was already born going down
the ridgelines so called Jacarará,
between caraiba trees
which I only know by pipelines
(so, likewise people,
I can't remember
the early leagues
of my walking).

From all of this which I remember,
well I remember lowering down
between lands of thirst
which watched me from the banks.
Man-child river, I feared
that huge thirst of straw,
huge bottomless thirst
which young-girls water coveted.
That's why when going down
I was looking for bed of stones,
any out of the bed of sand
and their multiple mouths.
Bed of stone below
man-child river I jumped.
I jumped up till I find
the female lands of the Forest.

Da lagoa da Estaca a Apolinário

Sempre pensara em ir
caminho do mar.
Para os bichos e rios
nascer já é caminhar.
Eu não sei o que os rios
têm de homem do mar;
sei que se sente o mesmo
e exigente chamar.
Eu já nasci descendo
a serra que se diz do Jacarará,
entre caraibeiras
de que só sei por ouvir contar
(pois, também como gente,
não consigo me lembrar
dessas primeiras léguas
de meu caminhar).

Deste tudo que me lembro,
lembro-me bem de que baixava
entre terras de sede
que das margens me vigiavam.
Rio menino, eu temia
aquela grande sede de palha,
grande sede sem fundo
que águas meninas cobiçava.
Por isso é que ao descer
caminho de pedras eu buscava,
que não leito de areia
com suas bocas multiplicadas.
Leito de pedra abaixo
rio menino eu saltava.
Saltei até encontrar
as terras fêmeas da Mata.

Releitura - Orides Fontela

Orides de Lourdes Teixeira Fontela nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 21 de abril de 1940. Começou a escrever poemas aos sete anos de idade. Aos 27 anos, deixou sua cidade natal e foi morar em São Paulo, com dois sonhos na cabeça: entrar na USP e publicar um livro. Cumpriu os dois, fez Filosofia e publicou seu primeiro livro, Transposição, com a ajuda do professor Davi Arrigucci Jr., seu conterrâneo. Publicou ainda Helianto (1973), Alba (1983, prêmio Jabuti de Poesia), Rosácea (1986), Trevo 1969-1988 (1988) e Teia (1996, prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte). Sempre com dificuldades financeiras, tinha uma personalidade atormentada que geralmente transparecia em sua poesia. Tal comportamento acabou afastando-a do convívio social e levou-a a viver na miséria. Orides quase foi enterrada como indigente na ocasião de sua morte, no dia 4 de novembro de 1998, aos 58 anos, de insuficiência cardiopulmonar decorrente de tuberculose, na Fundação Sanatório São Paulo, em Campos do Jordão. Sobre sua obra, Antônio Cândido escreveu: "Uma poesia diáfana, mas densa, alada e cheia de peso, onde um vocábulo como pássaro pode assumir significados da mais poderosa vitalidade; onde a pureza incontaminada de espelho pode virar signo de drama e tormento".
Philip Taaffe - Andalusian Panel I, 2008

Herança

Da avó materna:
uma toalha (de batismo).

Do pai:
um martelo
um alicate
uma torquês
duas flautas.

Da mãe:
um pilão
um caldeirão
um lenço.

[in De Rosácea, 1986]

Fala

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será.
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade)

[Poesia Reunida (1969-1996)]

Ilustração - José Geraldo de Barros Martins

Ilustração de José Geraldo de Barros Martins

Ilustração - Pete Doherty

Peter Doherty nasceu em 12 março de 1979 em Hexham, Northumberland, Inglaterra. Músico, escritor, ator, poeta e artista, é mais conhecido por seus projetos musicais, The Libertines e Babyshambles. Quanto à pintura e à literatura, publicou The Books Of Albion, uma série de diários, poesias, desenhos e fotografias produzidos ao longo de sua carreira. Seus quadros causaram polêmica por terem sido supostamente feitos com o próprio sangue de Doherty, e foram acusados de não tem qualquer mérito artístico. Em 2005 Doherty se tornou figura frequente nos tablóides ingleses devido ao seu relacionamento com a modelo Kate Moss e sua dependência por drogas, notoriamente heroína.
Flag, by Pete Doherty

Ensaio - Ronald Augusto

Ilustração enviada pelo autor
Sem alternativas à Vida cachorra

Há pouco fiz uma leitura (farei outras, espero) do livro Vida cachorra de Mariel Reis. O título sugere um autor filiado àquela forma de prosa aderente à tópica da vida-como-ela-é. E inclusive o tratamento dado ao material verbal com que mimetiza a oralidade moldada pela crueldade de certas vidas representadas nos contos, reforça essa sensação de que estamos imersos em definitivo no dédalo dos subúrbios onde a violência já parece ser congenial à geografia humana que aí vive.

Assim, o intrincado das vielas e ruas com que essas cenas nos são apresentadas, o enviesado dos trajetos e becos desembocam à flor das falas e dos depoimentos (no sentido da crônica policial) de muitos personagens de Vida cachorra. Resta, então, um “dizer sem melindres”; e a delicadeza fica reservada à parte, para depois.

Mas, com o perdão do trocadilho, sinto falta, nesta literatura que não capitula ao que quer que seja, de algo como uma “questão Capitu”, ou melhor, nesses contos de Mariel Reis parece não haver chance para a ambiguidade, nem para a dúvida. Em Vida cachorra a ficção resulta deprimida na sua relação crítica com o real. Mariel Reis não quer que o leitor suspeite das imagens e dramas que passam diante de seus olhos. Talvez eu me engane, mas o autor de Vida cachorra vai a contrapelo (e isso não é ruim, nem bom em si mesmo) do que afirma Jorge Luis Borges, ou seja, de que “No tempo real, na história, sempre que um homem depara com diversas alternativas opta por uma, eliminando e perdendo as outras; não é assim no ambíguo tempo da arte, que se assemelha ao da esperança e ao do esquecimento”.

Neste sentido, arremato essas anotações passageiras ao motivado livro de Mariel Reis com um pensamento de Édouard Glissant que me parece um interessante insumo a propósito do que até aqui se tratou na resenha. Deste modo argumenta o escritor antilhano: “No que concerne às nossas literaturas, no exercício da prosa os escritores acreditam muito facilmente que a descrição do real dá conta desse real. Seria mais ou menos como os pintores que pintam quadros de costumes ou de gênero. Acreditam, dessa maneira, dar conta da realidade. Mas estão completamente enganados, porque ela é outra coisa que não essa aparência. Ora, a poesia até os nossos dias é a única arte que consegue realmente ir além das aparências”.

Por meio da poesia, isto é, por meio da precisão do impreciso, o leitor pode situar a “realidade do real” (ou supor sua irrealidade) num ponto indecidível de sua imaginação; basta que disso suspeite ou que a julgue possível. A par de se prestar a tema literário, a vida, mesmo que cachorra, ainda pode não passar de um sonho.

Ronald Augusto é poeta, músico, letrista e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No Assoalho Duro (2007). Dá expediente no blog www.poesia-pau.zip.net

Autores

Ademir Demarchi Adriana Pessolato Adília Lopes Afobório Agustín Ubeda Alan Kenny Alberto Bresciani Alberto da Cunha Melo Aldo Votto Alejandra Pizarnik Alessandro Miranda Alexei Bueno Alexis Pomerantzeff Ali Ahmad Said Asbar Almandrade Alyssa Monks Amadeu Ferreira Ana Cristina Cesar Ana Paula Guimarães Andrew Simpson Anthony Thwaite Antonio Brasileiro Antonio Cisneros Antonio Gamoneda Antonio Romane António Nobre Ari Candido Fernandes Ari Cândido Aristides Klafke Arnaldo Xavier Atsuro Riley Aurélio de Oliveira Banksy Bertolt Brecht Bo Mathorne Bob Dylan Bruno Tolentino Calabrone Camila Alencar Carey Clarke Carla Andrade Carlos Barbosa Carlos Bonfá Carlos Drummond de Andrade Carlos Eugênio Junqueira Ayres Carlos Pena Filho Carol Ann Duffy Carolyn Crawford Cassiano Ricardo Cecília Meireles Celso de Alencar Cesar Cruz Charles Bukowski Chico Buarque de Hollanda Chico Buarque de Hollanda and Paulo Pontes Claudia Roquette-Pinto Constantine Cavafy Conteúdos Cornelius Eady Cruz e Souza Cyro de Mattos Cândido Rolim Dantas Mota David Butler Denise Freitas Desmond O’Grady Dimitris Lyacos Dino Valls Dom e Ravel Donald Teskey Donizete Galvão Donna Acheson-Juillet Dorival Fontana Dylan Thomas Décio Pignatari Edgar Allan Poe Edson Bueno de Camargo Eduardo Miranda Eduardo Sarno Eduvier Fuentes Fernández Elaine Garvey Elizabeth Bishop Enio Squeff Ernest Descals Eugénio de Andrade Evgen Bavcar Fernando Pessoa Fernando Portela Ferreira Gullar Firmino Rocha Francisco Niebro George Callaghan George Garrett Gey Espinheira Gherashim Luca Gil Scott-Heron Gilberto Nable Glauco Vilas Boas Gonçalves Dias Grant Wood Gregório de Matos Guilherme de Almeida Hamilton Faria Henri Matisse Henrique Augusto Chaudon Henry Vaughan Hilda Hilst Hughie O'Donoghue Husam Rabahia Ian Iqbal Rashid Ingeborg Bachmann Issa Touma Italo Ramos Itamar Assumpção Iulian Boldea Ivan Donn Carswell Ivan Justen Santana Ivan Titor Ivana Arruda Leite Izacyl Guimarães Ferreira Jacek Yerka Jack Butler Yeats Jackson Pollock Jacob Pinheiro Goldberg Jacques Roumain James Joyce James Merril James Wright Jan Nepomuk Neruda Jason Yarmosky Jeanette Rozsas Jim McDonald Joan Maragall i Gorina Joaquim Cardozo Joe Fenton John Doherty John Steuart Curry John Updike John Yeats Josep Daústin José Carlos de Souza José Geraldo de Barros Martins José Inácio Vieira de Melo José Miranda Filho José Paulo Paes José Ricardo Nunes José Saramago José de Almada-Negreiros João Cabral de Melo Neto João Guimarães Rosa João Werner Junqueira Ayres Kerry Shawn Keys Konstanty Ildefons Galczynski Kurt Weill Leonardo André Elwing Goldberg Lluís Llach I Grande Lou Reed Luis Serguilha Luiz Otávio Oliani Luiz Roberto Guedes Luther Lebtag Léon Laleau Lêdo Ivo Magnhild Opdol Manoel de Barros Marco Rheis Marcos Rey Mari Khnkoyan Maria do Rosário Pedreira Marina Abramović Marina Alexiou Mario Benedetti Mario Quintana Mariângela de Almeida Marly Agostini Franzin Marta Penter Marçal Aquino Masaoka Shiki Maser Matilde Damele Matthias Johannessen Michael Palmer Miguel Torga Mira Schendel Moacir Amâncio Mr. Mead Murilo Carvalho Murilo Mendes Márcio-André Mário Chamie Mário Faustino Mário de Andrade Mário de Sá-Carneiro Nadir Afonso Nuala Ní Chonchuír Nuala Ní Dhomhnaill Nâzım Hikmet Odd Nerdrum Orides Fontela Orlando Gibbons Orlando Teruz Oscar Niemeyer Osip Mandelstam Oswald de Andrade Pablo Neruda Pablo Picasso Patativa do Assaré Paul Funge Paul Henry Paulo Afonso da Silva Pinto Paulo Cancela de Abreu Paulo Henriques Britto Paulo Leminski Pedro Du Bois Pedro Lemebel Pete Doherty Petya Stoykova Dubarova Pink Floyd Plínio de Aguiar Pádraig Mac Piarais Qi Baishi Rafael Mantovani Ragnar Lagerbald Raquel Naveira Raul Bopp Regina Alonso Renato Borgomoni Renato Rezende Renato de Almeida Martins Ricardo Portugal Ricardo Primo Portugal Ronald Augusto Roniwalter Jatobá Rowena Dring Rui Carvalho Homem Rui Lage Ruy Belo Ruy Espinheira Filho Ruzbihan al-Shirazi Régis Bonvicino Salvado Dalí Sandra Ciccone Ginez Santiago de Novais Saúl Dias Scott Scheidly Seamus Heaney Sebastian Guerrini Sebastià Alzamora Shahram Karimi Shorsha Sullivan Sigitas Parulskis Silvio Fiorani Smokey Robinson Sohrab Sepehri Sophia de Mello Breyner Andresen Souzalopes Susana Thénon Susie Hervatin Suzana Cano Sílvio Ferreira Leite Sílvio Fiorani The Yes Men Thom Gunn Tim Burton Tomasz Bagiński Torquato Neto Túlia Lopes Vagner Barbosa Val Byrne Valdomiro Santana Vera Lúcia de Oliveira Vicente Werner y Sanchez Victor Giudice Vieira da Silva Vinícius de Moraes W. B. Yeats W.H. Auden Walt Disney Walter Frederick Osborne William Kentridge Willian Blake Wladimir Augusto Yves Bonnefoy Zdzisław Beksiński Zé Rodrix Álvaro de Campos Éle Semog